O problema não é a Black Friday, é você

O problema não é a Black Friday, é você

Camilla Clemente*

12 de novembro de 2021 | 07h15

FOTO: SEBASTIÃO MOREIRA/EFE

O período mais aguardado do ano para muitas pessoas se aproxima. É a oportunidade que grande parte da população tem para adquirir bens de consumo que não consegue comprar ao longo do ano em função do alto custo. As promoções proporcionadas pela Black Friday ajudam milhares de pessoas a conseguir itens básicos que precisam para sobreviver: uma geladeira, um fogão, uma panela… Mas o resultado, muitas vezes, é desanimador. As pessoas se empolgam, gastam mais do que deviam e acabam superendividadas. E aí, preciso dizer, o problema não é a promoção, é você.

As promoções são carregadas de gatilhos mentais. Normal, as empresas querem (e precisam) vender. Sugerem uma oportunidade única que, claro, ninguém quer perder. Apontam que todos comprarão algo novo e aí você não vai querer ficar de fora, vai? Mas a verdade é uma só: ninguém sabe da sua condição financeira melhor do que você. Cada um deve avaliar a própria situação, as necessidades e as possibilidades de pagar por aquilo que irá adquirir.

A Black Friday ser realizada em um momento em que as pessoas já estão com a primeira parcela do 13º em caixa agrava mais a situação. As pessoas ficam com uma falsa sensação de que têm dinheiro para gastar, sem pensar em todas as contas que chegam no início do ano. Por isso, a importância de fazer aquilo que já estamos até cansados de ouvir: é preciso se organizar financeiramente.

Antes de permitir que os banners e outdoors capturem a sua atenção com os números de 30% de desconto, 50%, 70%, estabeleça a sua necessidade e prioridade de compra. Faça uma pesquisa dos produtos para checar se o desconto que aparecerá em breve é, de fato, real e já tenha em mente o valor máximo que poderá gastar. Resolver um problema a curto prazo para criar outro, a longo, não é a melhor saída.

Outro ponto de atenção é a facilidade para parcelar a conta no cartão de crédito. Isso enche os olhos à primeira vista. Mas lembre-se que os juros do cartão estão entre os mais altos que existem. Ou seja, se não conseguir pagar a fatura nos meses seguintes, a situação se complicará. Então veja as possibilidades que estão na mesa. Às vezes vale mais fazer um empréstimo consignado, que conta com taxas melhores, e pagar à vista a usar cartão de crédito ou cheque especial.

Com planejamento, é possível aproveitar muito bem a data e as oportunidades. Só é preciso cautela, limite, papel e caneta.

*Camilla Clemente, sócia e Head de Marketing da Neon ConsigaMais

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