‘O problema da corrupção não é partidário, é estrutural da política’, diz procurador

‘O problema da corrupção não é partidário, é estrutural da política’, diz procurador

Carlos Fernando Lima, da força-tarefa da Lava Jato, diz que a investigação mostra que 'os partidos têm contas correntes pagas através de propinas'

Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Julia Affonso e Fausto Macedo

02 de agosto de 2016 | 11h27

Carlos Fernando dos Santos Lima. Foto: Pedro Filho/EFE

Carlos Fernando dos Santos Lima. Foto: Pedro Filho/EFE

O procurador regional da República Carlos Fernando dos Santos Lima, da força-tarefa da Operação Lava Jato, disse nesta terça-feira, 2, que ‘o problema da corrupção não é partidário’.

“O problema da corrupção é estrutural da política brasileira”, declarou Carlos Lima, em entrevista coletiva para revelar detalhes da Resta Um, a 33.ª etapa da Lava Jato que mira a empreiteira Queiroz Galvão e suposto repasse de R$ 10 milhões para o então presidente do PSDB, em 2009, senador Sérgio Guerra (morto em 2014), para abafar a CPI da Petrobrás, na ocasião em curso no Congresso.

“Temos fatos envolvendo campanhas do PT e também esse caso do PSDB, que era oposição”, disse Carlos Lima.

A Lava Jato mostrou em diversas fases pagamentos destinados ao PT. A Resta Um aponta para o repasse de R$ 10 milhões para o PSDB.

“Isso nos mostra que o problema da corrupção não é partidário.”

Resta Um é uma referência ao avanço contra a última grande empreiteira do “clube VIP” do cartel que fatiava obras na Petrobrás mediante o pagamento de propinas para agentes públicos e políticos.

“Aprendemos na Lava Jato que existem contas correntes, os partidos têm contas correntes, as pessoas têm contas correntes que são pagas através de propinas”, disse o procurador.

COM A PALAVRA, A QUEIROZ GALVÃO

COMUNICADO À IMPRENSA

A Construtora Queiroz Galvão informa que, na manhã de hoje, a Polícia Federal realizou uma operação de busca e apreensão em algumas de suas unidades. Alguns ex-executivos e colaboradores foram alvos de medidas cautelares. A empresa está cooperando com as autoridades e franqueando acesso às informações solicitadas.

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