O poder e suas comorbidades no grupo de risco

O poder e suas comorbidades no grupo de risco

Flavio Goldberg*

01 de fevereiro de 2021 | 10h00

Flavio Goldberg. FOTO: ARQUIVO PESSOAL

Uma sedutora imagem atraiu os estudiosos da sociologia política; a comparação entre os famosos da natureza do corpo individual, mentais e físicos com os que ocorrem no seio do corpo social.

A morfologia, anamorfose, crescimento e morte da pessoa, dos grupos, países.

A pandemia causada pela Covid19 provocou em todo o mundo a desordem metastática de nações tanto ricas e organizadas quanto pobres e sem estruturas.

Os processos se sucedem vertiginosamente, milhões de doentes, mortos, desemprego, confinamento, sequestro e autocontenção nas liberdades impostas pela iminência e ocorrência de catástrofes apocalípticas.

Diante deste quadro aterrorizante os versos de Schiller se revelam oportunos como advertência, “Crê no que diz o coração, O céu não dá garantias”.

No Brasil constatamos estarrecidos a derrocada do equilíbrio precário da engenharia sanitária e do tecido jurídico.

Ninguém, literalmente, ninguém responde por uma estratégia em relação à doença e as providências de defesa civil.

O presidente da República com um jaleco branco recomenda um remédio que não cura enquanto capitão reformado deixa as Forças Armadas segundo o general Cruz em saia justa, atarantado com a eleição do presidente da Câmara que num saco de gatos junta réus da Lava-Jato e Virgens intactas da República, pleito que antecipa conflito de vida e morte para um processo de impeachment.

Laboratórios farmacêuticos internacionais ditam prazos, doses e bulas em parafernália que dia a dia confundem a opinião pública sobre uma vacinação retardada que custa milhares de mortos neste genocídio covarde em que a população mergulha num “grupo de risco” em que a roleta russa atinge a todos.

Prefeitos que prevaricam, governadores onipotentes, polêmicas infindáveis com e entre tribunais, isto inscrito num cenário mundial em que China e EUA ensaiam uma guerra fria ou pelo menos morna, além do agravamento dos comportamentos criminosos, desde a droga até o terrorismo que acompanham os finais dos impérios ou das arquiteturas erguidas de forma artificial, como ONU, OMS  e outros braços naufragando no Direito Internacional Público com a pirataria dos remédios, reservas científicas, vidas compradas a preço de ouro.

Machado de Assis, genialmente, imaginou uma cidade que o escritor argentino Cesares prognosticou da “caça aos velhos”…

Nesta perspectiva de manicômio ou se resgatam os princípios de civilização acertando as normas de Direito ou a barbárie impera com uma Rainha da Sucata.

*Flavio Goldberg, advogado e mestre em Direito

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