O plano em movimento

O plano em movimento

Delio Lins e Silva*

20 de abril de 2020 | 14h55

Delio Lins e Silva. FOTO: DIVULGAÇÃO

Em meio ao maior desafio da nossa geração, o ministro Paulo Guedes declarou que “fomos atingidos por um meteoro”. Isso é inegável. Embora personalidades da envergadura de Bill Gates tenham feito grande esforço para a humanidade construir um plano de crise consistente (isso ficou claro em vídeo que recentemente viralizou nas redes sociais), pouco ou nada foi feito nos países ricos e menos ainda nos pobres, cuja agenda costuma girar em torno da emergência da vez.

E o “meteoro” veio e nos atingiu a todos em cheio, bem no meio da falta de tudo, interrompendo nossa vida, nosso trabalho, nossa convivência familiar e trazendo à tona discussões que já deveríamos ter superado há muito como sociedade.

Da noite para o dia se somam ao gigantesco recorte da população desempregada os profissionais autônomos e muitos microempresários, agora sem renda e com múltiplas dívidas. Novos personagens participando da interminável novela da miséria brasileira.

Estamos presos em casa, mas isso é o de menos. O maior problema é essa construção e implantação de um planejamento de crise – e não é qualquer crise – na velocidade dos fatos. Não há tempo para laboratório de gestão. Estamos testando na carne a viabilidade de um país em lockdown.

Sem dúvida estamos confinados porque precisamos reduzir a velocidade dessa pandemia. É necessário, é o que as autoridades recomendam. Embora o impacto desse cenário esteja ainda longe de ser contabilizado, muitos de nós estamos fazendo o possível, trabalhando e produzindo das nossas casas.

Em meio a esse cenário surreal vejo muita gente perdida, muitos cortes doloridos em empresas e negócios, mas vejo também a humanidade presente em boa parte dos casos: muitos contratos tem sido espontaneamente respeitados; Muitos patrões tem garantido a dignidade dos seus empregados realizando seus pagamentos mesmo quando não estão recebendo a prestação do serviço em troca; Muitas pessoas conscientes têm se colocado pra ajudar na linha de frente.

Tudo pra evitar que o outro saia. Tudo pra evitar que um vetor novo se forme. E, claro, muito se tem feito pra evitar o colapso. Ações anti-crise desenhadas na hora pelo cidadão comum, que não estavam em nenhum plano além do plano moral individual.

De nossa parte, também estamos construindo e repensando nossos planos em tempo real. OAB/DF e a CAADF vem cumprindo o seu papel de representante da sociedade civil e da Advocacia, buscando mitigar os danos da primeira, segunda e também da – já comentada – terceira onda do tal “meteoro”.

Nossas operações seguem em firme funcionamento, com o corpo de funcionários trabalhando em sistema home office e nossa diretoria vem acompanhando os desdobramentos da crise minuto a minuto para criar novas alternativas para todos.

Lançamos uma página sobre o coronavírus que está disponível no site da OAB/DF com diversas informações úteis para o setor jurídico como o formato de funcionamento das instituições, portarias, o arcabouço de serviços assistenciais da CAADF, os serviços online da nova OAB/DF Digital e muito mais.

Além disso, entramos com representações na justiça para que serviços essenciais como luz, água e telefone não faltem pra ninguém durante a pandemia e, com a CAADF, psicólogos, orientação médica e até treinadores de educação física não vão faltar aos advogados e advogadas que estão em casa, cumprindo a ordem de isolamento social ou quarentena.

Estamos usando as redes sociais para discussões de extrema relevância e planejando os próximos dias, os próximos meses e a próxima página da história da OAB/DF justamente no ano em que completamos 60 anos de luta.

E a primeira linha desse planejamento, posso garantir, diz que estamos presentes e ativos hoje nessa crise e estaremos em todas as outras porque essa é a nossa natureza como advogados que somos e nossa função social primordial.

#FiqueEmCasa

*Delio Lins e Silva é advogado e presidente da Ordem dos Advogados do Brasil DF

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