O PIX

O PIX

Alberto Barbo* 

31 de outubro de 2020 | 06h30

Alberto Barbo. Foto: Divulgação

Como enxergo o PIX: uma evolução. Em todos aspectos. Mas antes, vamos entender o que é o Brasil: Cinco bancos com 84% de mercado, em um país continental e emergente. Temos como características mobilidade precária; segurança pública deficiente e disponibilidade de serviços escassos. 

Nem todas as cidades do Brasil possuem agências bancárias ou caixas eletrônicos. Em algumas localidades, o brasileiro gasta quase três horas do dia se deslocando de casa para o trabalho e voltando. E tem sua relação com o sistema financeiro em longas horas nas filas e nem sempre com o melhor atendimento. Este tempo perdido está na conta da baixa produtividade do Brasil.

Cerca de 94% das transações, segundo dados relativos a 2018, divulgados pelo Banco Central, são feitas em dinheiro. O PIX veio para melhorar a relação dos brasileiros com o sistema financeiro, além de permitir que não se exponha ao risco de carregar dinheiro em espécie; além de poder ter um controle melhor dos gastos no período. Assim terá mais tempo para produzir e gerar riquezas.

O PIX é uma ferramenta de uso de transações financeiras, que entra em vigor neste mês de novembro. Irá proporcionar uma série de novos serviços de tecnologia financeira. Embora não seja novidade no mundo virou uma tendência global.  Para o Brasil, é um avanço. Elimina fraudes, como lavagem de dinheiro; corrupção; e dá mais transparência na relação com o dinheiro. Quem usava como desculpa a burocracia do sistema como vantagem para receber antes e fixar prazo para pagar vai ter que se ajustar. Essa relação que antes levava dias, dependendo do caso, agora será em segundos.

Bancos e instituições de pagamento estavam aguardando e se preparando para isso desde 2013, quando o Banco Central começou o trabalho para aumentar a competitividade no sistema financeiro. No entanto, fintechs e neo bancos saíram na frente dos bancos tradicionais que por anos controlaram os dados e a vida de seus correntistas.

A mensagem que ficou clara, no meu entendimento é que o jogo mudou. A pandemia quebrou paradigmas e a comodidade em dizer que os mais humildes não sabiam mexer em celular e que a necessidade de agências bancárias era uma grande barreira de entrada no mercado de varejo financeiro. A comunicação de marketing dos bancos não serve mais. Não teve aderência à marca. E este valor intangível valioso da marca no balanço dos bancos terá de ser revisto. Basta ver o crescimento surpreendente do Nubank e do Banco Inter. E a qualidade de atendimento do C6 Bank. Apenas alguns exemplos.

Muitas oportunidades irão surgir para as fintechs. Novos modelos de negócios estão surgindo e muitas empresas precisam se reinventar. Ao final, precisamos entender as dores do país e achar soluções. Uma batalha de cada vez sem querer abraçar o mundo ou escolher o adversário. As oportunidades estão colocadas e devemos buscar os melhores parceiros. O fato é que essa transformação é mais uma evolução e irá ditar as próximas décadas. Sintam-se todos convidados a participar.

*Alberto Barbo é CEO da fintech Astana Pay

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