O PIX vem aí, e agora?

O PIX vem aí, e agora?

Gustavo Victorica*

23 de outubro de 2020 | 03h00

Gustavo Victorica. FOTO: DIVULGAÇÃO

No dia 16 de novembro, a estrutura do mercado de pagamentos passará, oficialmente, por grandes mudanças. É o dia em que o Pix, sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, estará disponível para uso. Além de tornar as transações instantâneas e mais econômicas, a tecnologia deve interferir em muitos aspectos para as instituições financeiras. A concorrência no setor deve aumentar, assim como o acesso da população a um sistema mais moderno e abrangente, que beneficiará não apenas os consumidores, mas também lojistas, pessoas jurídicas e entidades governamentais. A adoção do novo método de pagamento é também uma grande oportunidade para as fintechs.

A experiência oferecida pelas startups financeiras é um dos principais fatores que leva os clientes a optarem por usar os seus serviços ao invés de bancos tradicionais. O baixo custo também é um quesito importante, inclusive é isso que leva pessoas que ainda não têm acesso aos serviços bancários a aderirem a esse tipo de plataforma. Graças ao PIX, que também é uma solução econômica e menos burocrática, a competição neste mercado deve se acirrar.

Segundo estudo realizado pela Fisher Venture Builder no final de 2019 com mais de 1.300 brasileiros, 42% dos entrevistados afirmaram ter conta tanto em fintechs quanto em grandes bancos. Além disso, é no banco tradicional que essas pessoas possuem mais dinheiro guardado. Entretanto, 43% dessas pessoas disseram estar dispostas a migrar para outra instituição, seja outro banco ou uma fintech. O Pix pode impulsionar essa transação.

O impacto no uso de cartões de crédito e débito também é uma dúvida gerada pela nova tecnologia. Caso a adoção pelos estabelecimentos comerciais seja alta, para o cliente será indiferente ter uma conta bancária tradicional com cartão de débito ou uma conta em uma carteira digital, já que os pagamentos poderão ser feitos apenas por meio da nova tecnologia.

Outra facilidade oferecida pelo novo método de pagamento, é o acesso a um QR Code próprio para envio e recebimento de dinheiro, uma modalidade de transferência que temos visto em crescimento. Para realizar transferências com a solução, não é necessário informar número de conta ou agência, pois esses dados serão substituídos pela Chave Pix, que consiste nas informações do cliente unificadas. Para muitas fintechs, o QR Code será a oportunidade de unir o mundo físico com o digital.

Com a padronização do código, startups de pagamento que não tinham a capacidade de investir na solução, agora poderão entrar neste segmento. A escolha de qual instituição utilizar, fica na mão do consumidor. Mais do que nunca, a experiência do cliente se torna um fator essencial na escolha da instituição financeira de cada pessoa. Principalmente, pois cada cidadão poderá ter acesso a apenas três chaves, ou seja, é possível se cadastrar no Pix em até três instituições.

Há ainda muitas dúvidas em relação ao que deve acontecer no futuro. É o fim da TED, do DOC e do boleto? Os cartões não serão mais usados? A população vai se adaptar ao novo sistema com facilidade? Muitas dessas respostas, só o tempo e os hábitos dos consumidores vão responder. A grande certeza é que o maior beneficiário será o consumidor.

*Gustavo Victorica, cofundador e COO da RecargaPay

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