O pitch muda o mundo

O pitch muda o mundo

Cassio Grinberg*

29 de dezembro de 2018 | 10h00

Cassio Grinberg. FOTO: DIVULGAÇÃO

E se Howard Schultz, eterno “CEO” da Starbucks, não tivesse convencido os fundadores de que valia a pena oferecer a bebida, e não apenas o grão? Mais do que afirmar que uma ideia não é de quem a teve — e sim de quem a fez — podemos lembrar da quantidade de disrupções que partiram de um “pitch”.

O pitch é venda na veia, por mais absurdo que pareça: “convidaremos as pessoas a postarem fotos de seus quartos, banheiros, de seus espaços mais íntimos, chamando estranhos para se hospedarem em suas casas, vai ser gigante!”, ironizou Joe Gebbia quando refletia sobre o pitch que resultou na maior empresa de hospedagem do mundo.

Jenn Hyman, fundadora da Rent the Runway, teve a visão de que o closet se mudaria para a nuvem. Diane Von Fürstenberg cancelou uma reunião com ela apenas meia hora antes do horário marcado, mas ela ainda assim apareceu no escritório da estilista e a convenceu a alugar seus vestidos. Depois foi ao presidente da Neiman Marcus pleiteando alugar um percentual de seu estoque, e se surpreendeu com a resposta dele: fique à vontade, nossas clientes já fazem isso em 70% das vezes — compram o vestido, escondem a etiqueta, usam e devolvem no outro dia. O conceito chamou atenção dos sócios do Alibaba, e hoje a empresa tem valuation de quase US$ 1 bilhão.

O pitch é a locomotiva do propósito: Adam Lowry e Eric Ryan atacaram o clichê “green doesn’t clean”. Aos vinte anos de idade, enviaram um e-mail a Karim Rashid, um dos maiores designers do mundo: ‘queremos trabalhar com você para redesenhar o detergente, um produto que repousa sobre todas as pias da América do Norte, você trabalharia conosco?’ Ele respondeu sim em menos de um minuto e, para comprovarem pureza, os sócios beberam detergente diante das câmeras. E com isso reinventaram toda a categoria de produtos de limpeza nos Estados Unidos.

O mundo vai se tornando diferente à medida que vamos vendendo e comprando o pitch. Se ‘o não nós já temos’ e ‘a primeira impressão é a que fica’, será que em 2019 não deveríamos criar mais momentos para defender nossas teses únicas?

*Cassio Grinberg, economista e consultor de empresas
cassio@grinbergconsulting.com.br

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