O passado que inova ao futuro 2

O passado que inova ao futuro 2

Marco Delgado*

21 de janeiro de 2021 | 12h20

Marco Delgado. FOTO: DIVULGAÇÃO

No passado, na primeira crônica, contextualizei e dei ênfase na curiosidade e na coragem como condições para criar e empreender inovações nas organizações empresariais. Seriam como fagulha e combustível, respectivamente. Nesta continuação tratarei de outro elemento fundamental para a dinamização da inovação ou, mantendo a metáfora, para que aquela reação química seja exotérmica. Para que isso ocorra é necessário também ter o comburente. Noutras palavras, é necessária a demanda para que a ideia que se tornou produto ou serviço chegue, de fato, a gerar riqueza. Além da curiosidade e da coragem é essencial o discernimento para aproveitar oportunidades.

Para ilustrar essa reação profícua vou contar um trecho da vida do germânico Albrecht Dürer. Em sua época, no final do século XIII, já se conhecia a técnica de xilogravura e já se reconheciam diversos talentosos artistas que eram patrocinados por mecenas e guildas. Os temas das obras, também não surpreendiam, pois eram hegemonicamente bíblicos. Não obstante, a virada do século se aproximava e o assunto sobre “o fim dos tempos” dominava o imaginário comum. Acredito que ao perceber isso, com senso de oportunidade, Dürer apeou, por assim dizer, uma demanda de mercado oculta e produziu a xilogravura “Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse” em 1498. Com sua ideia numinosa, sua volição para empreender e o latente interesse do mercado conseguiu “escalar” sua produção artística e obter uma cavalar e duradoura renda. Por mais irônico que seja, para Dürer, os cavaleiros do apocalipse vieram “montados em unicórnios”, como no atual jargão das startups bem-sucedidas.

No presente, em síntese, é relevante que as organizações empresariais, além de conceberem ambientes que estimulem seus colaboradores à inovação, tenham ações estruturadas para mapear sinais de mercado e perscrutar tendências tecnológicas, especialmente em seus planejamentos estratégicos e afins. Esses são elementos cruciais para criarem cenários vindouros adversos e alvissareiros objetivando, com coragem, discernimento e astúcia, decidirem o caminho a cavalgar para a evolução dos seus negócios, atividades, serviços e produtos. Pauta vindoura na CCEE.

*Marco Delgado é conselheiro da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica

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