O paradoxo da Tecnologia da Informação estratégica

O paradoxo da Tecnologia da Informação estratégica

Marcelo Lorencin*

25 de setembro de 2019 | 05h00

Marcelo Lorencin. FOTO: DIVULGAÇÃO

É inegável como a Tecnologia da Informação (TI) tem impactado consideravelmente os negócios de todo o mundo. Tanto do ponto de vista operacional, permitindo maior eficiência, quanto do ponto de vista da gestão. Do ponto de vista estratégico, a TI traz subsídios para o melhor aproveitamento das oportunidades e mitigação de riscos, além da possibilidade de disrupção de negócios, fato que tem deixado os CEOs bastante atentos aos temas de Inovação e Tecnologia.

Desta maneira, vemos que a Tecnologia da Informação está intimamente ligada à performance e estratégia das organizações. No entanto, observamos que esse setor, em muitas empresas, ainda está distante da estratégia, assim como aconteceu com a área de Recursos Humanos (RH) há alguns anos.

Faço este paralelo pois no passado – e infelizmente no presente para algumas companhias – o RH era “separado” da estratégia empresarial e sempre reativo. Primeiro se definia a estratégia e depois se procurava recurso e capital intelectual, o que levava tempo e trazia gaps. Hoje, os setores de Desenvolvimento Humano Organizacional são estratégicos e entendem profundamente do negócio da empresa, tornando-se um grande parceiro na evolução das organizações.

O mesmo cenário está acontecendo no setor de TI, onde notamos equipes desconectadas, ou no mínimo reativas ao negócio, participando somente da execução, o que pode trazer, inevitavelmente, riscos. A evolução para transformar essa área em uma frente estratégica deve ser uma missão para os setores de tecnologia. Nesse cenário, é fundamental que a TI faça seu movimento de trazer o mindset e entendimento do negócio para suas atividades, de forma a que possa de fato contribuir nos aspectos operacionais, táticos, estratégicos e até mesmo disruptivos. Afinal, a tecnologia por si só não basta, ela deve servir a algo, pode e deve potencializar as necessidades do mercado.

Vamos relembrar que a Netflix não acabou com as locadoras, apenas é uma locadora “diferente”, trazendo maior comodidade. A Uber não rompeu com os taxistas, mas sim com o serviço insatisfatório e tarifas. Da mesma maneira que a Apple não destruiu a indústria musical, mas sim a exigência de compra de álbuns completos. Estes exemplos mostram que a tecnologia potencializa o atendimento às demandas do mercado e à transformação dos hábitos de consumo.

Hoje nas organizações muito se fala da importância de tecnologias para alavancar negócios e trazer mais valor ao mercado e seus clientes. Em todo lugar se fala de business intelligence, big data, secutity, analytics, inteligência artificial, realidade aumentada, entre outras tantas tecnologias que permitem esta transformação digital preconizada pelo mercado. Mas, muitas vezes, não se sabe por onde começar.

A aproximação da TI ao negócio é um grande desafio, vemos alguns movimentos, como por exemplo de especialistas de negócios se aprofundando em tecnologia da informação e vice-versa. No entanto, esta aproximação está mais lenta do que o próprio movimento das mudanças e, por isso, a TI precisa se transformar em Business Partner das organizações, tal como aconteceu com os RHs nas empresas mais bem-sucedidas do mundo.

O desenvolvimento destas competências mais amplas deve ser pauta dos líderes, das organizações, instituições de ensino e do mercado de trabalho como um todo. No Brasil, a maturidade das empresas em relação à transformação digital ainda é baixa. Segundo dados do Indicador de Transformação da TI, estudo lançado pela IDC, Dell EMC e Intel em 2018, em uma escala de 0 a 100, o grau de maturidade das empresas brasileiras está em 43,7 pontos. Assim, a TI estratégica é fundamental para o amadurecimento das empresas nesse processo de transformação que observamos hoje.

Cada vez mais a união de competências dentro de uma organização será fundamental para a evolução e criação de novos negócios na era digital, é nisto que acredito!

*Marcelo Lorencin é presidente da Shift, empresa de Tecnologia da Informação voltada para medicina diagnóstica

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