O papel social da Polícia Militar na sociedade líquida

O papel social da Polícia Militar na sociedade líquida

Flavio Goldberg e Valmor Racorti*

20 de janeiro de 2021 | 06h00

Flavio Goldberg e Valmor Racorti. FOTOS: ARQUIVO PESSOAL

A pandemia que assola o mundo e, no caso, ao que concerne ao Brasil colocou de forma intensa e dramática algumas teses sociológicas e estudos de psicologia de massa que atualizam ideias expostas por Zygmunt Bauman, englobadas de conteúdo sob a expressão de “sociedade líquida”.

Com o propósito de levantarmos aqui questões oportunas abrimos com uma frase lapidar do pensador: “Tudo é mais fácil na vida virtual mas perdemos a arte das relações sociais”.

Ora a associação imagética entre a função da Polícia em geral e da Polícia Militar em particular está caracterizada pela chamada “ação de presença”, assim entendido o agente da Lei, fardado, armado, atuando, diretamente, contra o crime na preservação dos princípios civilizatórios, organizados e sob os fundamentos do Direito e da Justiça.

No universo complexo em que o trânsito vertiginoso das ocorrências urbanas se sucedem, de forma construtiva mas também na marginalidade corrosiva da destruição seja de vidas, de estruturas, de ordem comunitária se contrapõe num de-repente pela ameaça de um caos provocado pela Covid19, se aguarda duma entidade poderosa, disciplinada, com capilaridade e compromisso ético um papel social criativo e humanista no esforço pela saúde da população, resguardo da essencialidade de sobrevivência que eleva à patamares extraordinários a importância histórica de seu desempenho.

As funções reconhecidamente de assistência social por seus diversos instrumentos de ação já se incorporam ao cotidiano de São Paulo.

Importa consignar neste registro itens básicos para que este processo se transforme numa realidade pós-pandêmica e, portanto, pertinente.

Referenciando:

  • Gerenciar as ações e operações de todos os órgãos envolvidos em um sistema de comando e controle de incidentes, como o ICS/NIMS americano;
  • Aplicar os conceitos de superinformação, evitando boatos e “fake News”;
  • Conhecer, estabelecer e informar as limitações do serviço;
  • Conscientização da força policial e de segurança;
  • Segurança física e mental dos agentes de segurança públicaEm verdade o crime e a transgressão se apresentam na metamorfose impressionante que uma narrativa cinematográfica nos apresenta, diariamente, pela TV, internet, nas ruas, nas casas, nas escolas, nos hospitais, nos templos, enfim no pulsar vivo de um cotidiano que, paradoxalmente, invade o próprio confinamento.

O “comportamento delivery” suscita para nós lições aprendidas que irão fertilizar as missões futuras.

Ordenar o fluxo das pessoas evitando aglomerações sem violentar os direitos políticos, são margens de uma nova travessia que fica o registrado as lições aprendidas face a pandemia para atuações futuras.

Encarar os desafios impostos por uma crise sem precedentes é uma condição de ajustar a função da Polícia Militar de São Paulo à sua trajetória de corresponder às demandas de uma coletividade carente de segurança com o elevado sentido de “SALVAR VIDAS”.

*Flavio Goldberg, advogado e mestre em Direito

*Tenente-coronel Valmor Racorti, comandante do Batalhão de Operações Especiais de São Paulo

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