O papel fundamental da transformação ecológica

O papel fundamental da transformação ecológica

Pedro Prádanos Zarzosa*

09 de agosto de 2021 | 14h20

Pedro Prádanos Zarzosa. FOTO: DIVULGAÇÃO

Garantir um futuro melhor e mais sustentável para todos saiu da esfera política e hoje é pauta de toda a sociedade. Principalmente das empresas, que cada vez mais precisam participar de forma ativa das discussões sobre soluções para preservação da natureza e da biodiversidade.

Os setores que prestam serviços de gestão de água, resíduos e energia têm uma responsabilidade enorme neste contexto. Por estarem diretamente ligados aos meios e ecossistemas naturais (água, ar, solos), contribuem para proteger o ambiente nos territórios onde atuam.

A transformação ecológica e digital cada vez mais terá um papel fundamental e prioritário na modernização da economia. O investimento em tecnologias verdes e a integração de sistemas digitais irão contribuir para a resiliência das cidades e a sustentabilidade dos recursos.

As companhias que estiverem alinhadas com importantes compromissos como o Acordo de Paris e o Pacto Global da ONU serão as que, de fato, vão colaborar com as mudanças positivas para o futuro do planeta. É preciso atuar para ir além e implementar as soluções que nossa sociedade precisa para mudar o rumo e, com isso, assumir os grandes desafios ecológicos e construir um futuro melhor e mais sustentável para todos.

Uma pesquisa da iniciativa Nova Economia para o Brasil, liderada pelo WRI (World Resources Institute) Brasil e pela New Climate Economy, em parceria com especialistas e outras instituições brasileiras, mostra que esse caminho não só é viável como na verdade gera melhores impactos econômicos e sociais. O relatório inaugural da iniciativa, “Uma Nova Economia para uma Nova Era”, descobriu que, até 2030, uma recuperação econômica de baixo carbono e resiliente em termos climáticos poderia gerar no país um aumento líquido de mais de 2 milhões de empregos em 2030 e um aumento acumulado adicional de R$ 2,8 trilhões no PIB até o fim da década em comparação a uma trajetória mantendo o cenário atual, com os benefícios aparecendo já a partir do primeiro ano. Uma transição como essa também pode levar a reduções na poluição do ar e da água, com benefícios substanciais para a saúde dos brasileiros e uma redução de 42% nas emissões de GEE até 2025, em relação aos níveis de 2005.

É fato que quem estiver comprometido em acelerar, inventar e promover as atividades que têm o maior impacto tanto no presente como no futuro terá destaque no cenário mundial. O maior exemplo disso é o quanto os olhos estão voltados para questões de ESG e como estas mudaram as agendas de prioridades das empresas e dos consumidores.

A Transformação ecológica já está em curso e os próximos anos serão provavelmente, em muitos aspectos, os mais dinâmicos de toda a história. Será imperdoável para os decisores se não conseguirem alterar o modelo anterior de desenvolvimento, ineficaz e poluente. Inversamente, será reconhecida a sua capacidade de contribuir para um novo amanhã mais resiliente, inclusivo e sustentável.

Esta mudança de paradigma significa adaptar profundamente nossos padrões de produção e consumo. É sinônimo de ecologia no centro de todos os processos, análises e decisões. É imprescindível que estes trabalhem para combater a mudança climática, que promovam economia circular, despoluam o ar, a água e o solo.

Para quem enxerga as questões ambientais de perto, a transição é uma mudança, não é necessariamente voluntária e pode até mesmo ser algo sofrido. A transformação, por outro lado, é um ato voluntário que requer determinação e vontade. É uma promessa de ação e compromisso.

Este é, portanto, o conceito correto para reiniciar um diálogo engajado com nossas partes interessadas, um conceito que podemos e devemos cultivar para expressar com precisão nossa ambição e fornecer provas disso. Já passou da hora de focarmos em soluções concretas. É tempo de proteger a biodiversidade e facilitar o acesso aos recursos para um futuro melhor e mais desenvolvimento para todos.

*Pedro Prádanos Zarzosa, CEO da Veolia

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