O papel da nutrição hospitalar no controle de doenças tóxico-alimentares

O papel da nutrição hospitalar no controle de doenças tóxico-alimentares

Fábio Aguiar*

15 de setembro de 2021 | 02h30

Fábio Aguiar. FOTO: DIVULGAÇÃO

A internação de um paciente demanda uma série de procedimentos e tarefas multidisciplinares a serem cumpridos por todo o corpo hospitalar, afinal, o estado de enfermidade de um indivíduo obriga que a unidade médica ofereça as melhores ferramentas e cuidados disponíveis. A nutrição hospitalar, tema por vezes considerado por leigos como algo secundário e negligenciável, apresenta pontos essenciais na recuperação e bem-estar do paciente enfermo.

A nutrição, de uma maneira simples e didática, pode ser definida como o ato de fornecer sustento, de disponibilizar equilíbrio e nutrientes necessários para a vida. E em casos mais específicos dentro de um contexto hospitalar, por exemplo, a atenção profissional em relação ao aspecto nutricional ganha contornos ainda mais robustos. Principalmente porque pessoas com a saúde debilitada em ambientes hospitalares muitas vezes apresentam maiores fragilidades — de diversos graus — e menor imunidade, o que pode originar outras mazelas em seu estado de saúde devido a alimentos mal preparados, manipulados de maneira incorreta, reservados em temperatura errônea, ou até mesmo servidos de forma equivocada.

Diante deste importante princípio de preservação da boa nutrição hospitalar, é importante que os profissionais envolvidos no tratamento de um paciente se atentem diuturnamente ao controle de doenças tóxico-alimentares, afinal, contaminações acontecem das maneiras mais diversas e imperceptíveis. De acordo com o “Manual Integrado de Vigilância, Prevenção e Controle de Doenças Transmitidas por Alimentos”, do Ministério da Saúde, entre os agentes etiológicos de contaminação bacteriana mais comuns estão a Salmonella, Escherichia Coli, Staphylococcus aureus, Shigella, Bacillus cereus e Clostridium perfringens — responsáveis por diversos prejuízos à saúde. Até a água, por exemplo, pode servir como meio de transporte de bactérias ao organismo.

Um outro meio de contaminação frequente, sem os cuidados devidos, acontece por meio de utensílios mal higienizados ou limpados de forma incorreta. Para evitar que recipientes, por exemplo, sirvam como elementos de contágio, há bandejas injetadas com o intuito de evitar infiltrações de água na parte interna do produto — maneira eficiente de evitar a presença de eventuais fungos, vírus e bactérias.

A necessidade de uma nutrição hospitalar bem realizada com foco no controle de doenças tóxico-alimentares encontra respaldo no Artigo 1° da Lei 11.346/2006, que estabelece princípios e métodos para o poder público e a sociedade civil garantirem o direito humano a uma alimentação adequada. De acordo com o documento, é crucial aos responsáveis pela saúde garantir, por meio do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN), a “qualidade biológica, sanitária, nutricional e tecnológica dos alimentos, bem como seu aproveitamento, estimulando práticas alimentares e estilos de vida saudáveis”. Como resultado de boas práticas, saem ganhando toda a sociedade e aqueles que necessitam de maiores cuidados devido a seu estado de saúde. Planejamento que começa pelo que nos mantém vivos: uma boa e correta alimentação.

*Fábio Aguiar é fundador e CEO da Ufa Hospitalar

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