‘O País não pode ficar nesse embate de brasileiro contra brasileiro’, diz Temer

‘O País não pode ficar nesse embate de brasileiro contra brasileiro’, diz Temer

No dia do interrogatório de Lula na Lava Jato, presidente da República prega que 'é preciso eliminar uma certa raivosidade que muitas vezes permeia a consciência nacional'

Carla Araújo, de Brasília

10 de maio de 2017 | 13h17

Michel Temer. Foto: Dida Sampaio/Estadão

No dia em que o ex-presidente Luiz Inacio Lula da Silva prestará depoimento para o juiz Sérgio Moro, sob um forte esquema de segurança, o presidente Michel Temer aproveitou uma cerimônia no Palácio do Planalto para dizer que ‘precisamos pacificar e ter mais tranquilidade no país’. “O país não pode ficar nesse embate de brasileiro contra brasileiro”, disse. “E preciso eliminar uma certa raivosidade que muitas vezes permeia a consciência nacional. Precisamos ter paz e tranquilidade e saber que nada vai impedir que o Brasil continue a trabalhar”, completou.

Temer disse ainda que acredita que os brasileiros estão começando a ficar otimistas em relação a economia e que ele tem “orgulho” por ver a redução da inflação de 10,7% para 4,5% e que a redução indica que o índice ficará “bem abaixo” da meta no fim do ano. “Ainda que lentamente, mas vigorosamente a economia está dando sinais de crescimento. O país começa a respirar”, disse.

Em seu discurso, o presidente destacou ainda a redução de juros e liberação das contas inativas do FGTS e disse que a liberação de verbas ajudou o varejo. “Não é sem razão que o varejo cresceu neste mês e pessoas atribuem à utilização das contas inativadas”, afirmou, destacando ainda que a produção industrial teve o melhor trimestre e que a balança comercial vem registrando superávit.

O presidente disse ainda que o seu governo tem como força motriz a responsabilidade fiscal com a responsabilidade social e que juntas essas duas iniciativas tem como objetivo combater o desemprego. “Só tem sentido incentivar o capital com a ideia de que vamos gerar empregos”, afirmou. Ao destacar o programa de concessões do governo, o presidente disse ainda que os leilões de linhas de transmissão de energia foram muito bem sucedidos e disse que eles podem significar a redução da tarifa de energia.

Congresso. Ao iniciar o discurso, Temer, como de costume, exaltou a participação do Congresso Nacional nas ações do governo e repetiu que uma das palavras chaves de sua gestão é o diálogo.

“Nós fizemos o Congresso de partícipe do nosso governo. Hoje o poder legislativo governo conosco”, afirmou.

O presidente repetiu ainda que seu governo tem coragem e ousadia para modernizar as áreas de administração e destacou que “no tópico da responsabilidade fiscal estamos cuidando de outras reformas”. Temer disse que a reforma trabalhista que passou pela Câmara, “certa e seguramente”, será aprovada pelo Senado. Ontem, em reunião com senadores, para evitar que a proposta trabalhista seja alterada no Senado e tenha que retornar à Câmara, foi de iniciativa do próprio Temer propor, na reunião, a edição de uma Medida Provisória que altere os pontos de interesse dos senadores. Segundo o presidente, o texto não traz prejuízo nenhum para os trabalhadores.

Cerimônia. As declarações do presidente aconteceram durante cerimônia de assinatura do Novo Decreto de Regulamentação da Política Portuária do Brasil. Segundo o presidente, a modernização permitirá principalmente mais segurança jurídica aos investidores. “Ninguém investe sem segurança jurídica e esse decreto confere segurança aos investidores portuários”, afirmou.

O ministro dos Transportes, Mauricio Quintella, afirmou que as estimativas apontam que R$ 25 bilhões de investimento sejam gerados com novo decreto de portos.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco, disse que o decreto fazia parte das iniciativas do governo em tirar o país da crise e “do século passado para o século XXI”. Moreira disse ainda que o sistema portuário precisa buscar eficiência e que sua modernização vai ajudar a recuperar a economia.

Segundo Moreira, na Secretaria de Parceira Publica e Privada, que ele comanda, foi tomada a decisão, há meses, de que os investimentos em portos e ferrovias serão conjuntos. “Não há mais, como no passado, qualquer decisão sobre a extensão de sistema ferroviário brasileiro a não ser vinculada aos portos. Uma ferrovia tem que sair de um porto e chegar a um porto”, disse.

O ministro disse ainda que o presidente Temer vai cumprir “o destino que a história o reservou”, que é tirar o Brasil da crise e coloca-lo nos trilhos.

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