‘O País já não suporta tragédias como Brumadinho’, diz Lamachia

‘O País já não suporta tragédias como Brumadinho’, diz Lamachia

Na abertura do Ano Judiciário, no Supremo, presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil atribui mar de lama que soterrou dezenas em Minas à 'corrupção, negligência administrativa, desprezo pela vida humana'

Teo Cury e Rafael Moraes Moura/BRASÍLIA

01 de fevereiro de 2019 | 12h26

Claudio Lamachia, presidente da OAB. FOTO: Nilton Fukuda / Estadão

O presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, Claudio Lamachia, disse nesta sexta, 1, que ‘o país já não suporta testemunhar tragédias como a de Brumadinho‘. Na abertura do Ano Judiciário, em sessão solene no Supremo, Lamachia atribuiu o mar de lama que soterrou dezenas de vítimas – 110 mortos até aqui – à ‘corrupção, negligência administrativa, desprezo pela vida humana’.

O advogado disse que Brumadinho ‘reproduz, em circunstâncias quase idênticas e intoleráveis, a tragédia de Mariana, quatro anos antes’ – em novembro de 2015, o estouro da barragem do Fundão matou 19.

“Quantas mortes serão ainda necessárias para que isso mude? Até quando?, pergunta o povo, na sua sede de justiça. A resposta terá de ser dada pelos novos governantes”, disse o presidente da Ordem.

Lamachia se despede nesta sexta da presidência nacional da OAB. Ele transmite o cargo a seu sucessor, o advogado Felipe Santa Cruz.

Ele destacou ‘a importância do papel do Judiciário’. “Neste período, adquiriu tal magnitude que extrapolou sua circunstância institucional. Transfigurou-se em Poder Moderador da República. O desgaste do poder político conferiu-lhe esse protagonismo, inédito e não postulado, mas ao qual não pôde recusar.”

“Nessas circunstâncias, expôs-se, de maneira inevitável, ao debate público e às consequências daí advindas: incompreensão por parte dos agentes políticos, da mídia e da própria sociedade.”

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