‘O pacote do Guedes precisa ser acompanhado do pacote do Moro’

‘O pacote do Guedes precisa ser acompanhado do pacote do Moro’

Maria Critsina Pinotti, que lança o livro Corrupção: Lava Jato e Mãos Limpas, ressaltou, durante evento no 'Estado', que combate à corrupção causa impacto na economia

Altamiro Silva Júnior, André Ítalo Rocha, Daniel Weterman e Mateus Fagundes

01 de abril de 2019 | 09h56

Maria Cristina Pinotti, que lançará no dia o livro Corrupção Lava Jato e Mãos Limpas. Foto: Felipe Rau / Estadão

A economista Maria Cristina Pinotti afirmou há pouco no fórum “Estadão Discute Corrupção” que é imprescindível que o pacote anticrime do ministro da Justiça, Sérgio Moro, e as reformas propostas pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, tramitem juntos no Congresso.

Cristina participa do evento “Estadão Discute Corrupção”, realizado na sede do jornal O Estado de S.Paulo em parceria com o Centro de Debate de Políticas Públicas (CDPP) para discutir as operações Lava Jato e Mãos Limpas.

“Os dois pacotes são imprescindíveis. Não adianta separar um do outro. Há evidências empíricas que o combate à corrupção e o desenvolvimento econômico andam juntos”, disse. “É ilusão imaginar que seja possível fazer o País crescer de maneira sustentada sem reduzir sistematicamente a corrupção. Se não fizermos isso, a economia vai continuar tendo voos de galinha até o fim da vida.”

A economista apresentou dados econômicos após a dissolução das Mãos Limpas e defendeu este processo de “fragilização das instituições” fez com que a economia da Itália tivesse um dos piores desempenhos do mundo desenvolvido.

Para ela, se houver um processo de desintegração do trabalho da Operação Lava Jato, como ocorreu na Itália após a Mãos Limpas, o Brasil “deve estar preparado para enfrentar o custo que virá depois”.

Usando o exemplo da dissolução da operação Mãos Limpas, da Itália, ela defendeu que houve um processo de “abafa e esquecimento geral” dos escândalos de corrupção revelados pelas investigações, a partir de meados da década de 1990. “A descrença no Judiciário fez corrupção ficar mais forte na Itália. É isso que queremos para o Brasil?”, questionou.

Segundo ela, este processo fez com que houvesse alterações nas leis “altamente profundas”. “Os instrumentos de combate à corrupção ou foram reduzidos ou simplesmente eliminados”, disse.