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Jorge Luz, discreto, perspicaz, alvo da Operação Blackout, é apontado como o pagador de propinas a senadores do PMDB

Julianna Granjeia

24 de fevereiro de 2017 | 10h00

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Jorge Luz é um velho conhecido de políticos e empresários. Apontado como o decano dos negócios suspeitos envolvendo a Petrobrás, é pioneiro do modelo de relacionamento com fornecedores que culminou em um dos maiores escândalos da história recente do País. Investigações da Lava Jato apontam, desde 2015 – quando foram feitas buscas de documentos da família Luz -, que ele iniciou sua atuação como lobista em 1986, no governo Sarney. Na época, já se sabia que ele viajava frequentemente para Miami com o filho Bruno, onde tem casa e negócios.

Pessoas próximas a Luz o descrevem como inteligente e discreto. Há poucos registros de imagens dele e a maioria de seus bens está em nome de filhos e irmãs.

Filho de um comandante da Marinha nascido no Pará, que mantinha relações com políticos da região, Luz mudou para o Rio ainda jovem. Na capital carioca, formou-se em colégio militar.

Na década de 1980, ostentava sua Ferrari pelas ruas da Barra da Tijuca. Foi nessa época que montou um escritório no Pará, onde se dizia braço-direito do então governador Jader Barbalho (PMDB).No final da segunda gestão de Barbalho, quando o peemedebista se licenciou para a campanha ao Senado, Luz instalou-se em um hotel em Belém de onde, segundos fontes próximas do lobista naquela época, ajudava o então vice-governador Carlos Santos (PP-PA).

Nessa época, Luz saía com Ariadne da Cunha Lima, que casou-se depois com o falecido empresário Jair Coelho. Foi quando Ariadne ganhou a alcunha de rainha das quentinhas no Rio.

Em entrevista ao jornal “O Globo” em setembro de 2015, Ariadne, que morou com Luz em Belém, contou que conheceu o lobista em 1989. O relacionamento durou quatro anos, período no qual ela viajou com ele para várias regiões do País e ao exterior.

“Na época das privatizações, eu estava com ele na mesa de jantar, ao lado de empresários espanhóis, para tratar da venda das empresas de telefonia. Ganharam tudo o que queriam. Se tem um grande negócio acontecendo, com certeza ele (Luz) estará presente. Tem sido assim, desde a restauração da democracia”, contou Ariadne ao jornal.

Mas a influência política de Luz não se restringia ao Pará. Em negócios citados na Lava Jato, ele chegou a fechar contrato entre uma de suas empresas, a Gea Projetos, e a diretoria de Abastecimento da estatal petrolífera, então comandada por Paulo Roberto Costa, no valor de R$ 5,2 milhões. Costa disse que só foi mantido diretor, no segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, por intermédio de Luz, a pedido do PMDB.

A Gea Projetos tinha Jorge Luz como sócio até 2011. Hoje, está em nome de sua irmã, Maria de Nazaré Luz Lopes. A empresa chegou a ser contratada pelo Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), na época em que Costa era um dos diretores.

As investigações mostram registros de reuniões na Petrobrás entre Luz, Fernando Baiano – tido como discípulo do lobista – e o ex-diretor da área Internacional Nestor Cerveró. A Mercedez-Benz de Luz ocupou, por muitos anos, vaga no estacionamento reservado para diretores da estatal petrolífera.

Na delação de Costa, ele também diz que Luz é amigo do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado.

“O Jorge é um lobista dentro da Petrobrás desde sempre. Ele atuava já há muitos anos na Petrobrás. E eu vim a conhecê-lo quando ocorreu aquele fato de ter que ter o apoio do PMDB. Porque ele tinha relação muito forte com o PMDB. Então, até a necessidade de ter apoio com o PMDB eu não conhecia o Jorge. Fiquei conhecendo o Jorge Luz depois desse momento da entrada do PMDB no processo junto com o PP, para eu continuar na diretoria”, afirmou Costa em sua delação.
Costa disse à Justiça que chegou a participar de reunião na casa de Luz, na Barra, com os políticos Cândido Vaccarezza e Jorge Loubet, ‘em 2009 ou 2010’, para tratar de repasse à campanha do ex-deputado do PT. Foi quando ficou sabendo que Luz teria repassado R$ 400 mil a Vaccarezza.

Em outro núcleo, atuava seu filho Bruno, tido como sucessor dos negócios do pai.

Bruno é sócio de Pedro Augusto Henriques, filho do lobista João Augusto R. Henriques, na Partners Air Serviços., do grupo da Fortuna Tec, que entregava querosene para a BR Distribuidora.

A força-tarefa da Lava Jato acredita que Henriques movimentou milhões de dólares em propinas do PMDB. Em sua delação, o lobista contou que conheceu Luz em ‘1998/1999’ e que manteve ‘uma relação social’ com ele até 2002.

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