O ‘novo normal’ e a transformação das empresas e da sociedade

O ‘novo normal’ e a transformação das empresas e da sociedade

*Marcelo Lorencin

04 de julho de 2021 | 05h00

Já se passou mais de um ano desde o início da pandemia. E, pelos fatos,  incluindo as diferentes velocidades de imunização em todo mundo, viveremos assim por mais um tempo. No entanto, já é possível perceber que a ciência venceu. Agora é uma questão de tempo para voltarmos à normalidade.

Marcelo Lorencin. Foto: Divulgação.

Ou não? Ao longo desses 14 meses, muito tem se falado do “novo normal” e como será a vida após pandemia. Diversos “gurus” arriscam algumas possibilidades: viagens de negócios fadadas ao fim, escritórios sendo devolvidos, home office como o “modo operante” etc.

Mas, se estamos construindo este novo normal, não seria prematuro apostar em como será de fato o mundo pós pandêmico?

Estas predições têm grandes chances de estarem erradas e que cabe a nós líderes sermos cautelosos nos movimentos empresariais para nos preservarmos e não perdermos nossa essência,  que nos distingue.

É fato que a mobilidade, conveniência, flexibilização, aproximação de casa e trabalho fará sim parte deste novo normal. Mas, assumir que uma determinada forma predominará é incoerente com o que nos trouxe até aqui.

As empresas bem sucedidas têm investido muito na preservação e evolução da cultura organizacional. Em contraponto, as corporações que crescem rápido ou que estão dispersas geograficamente sempre foram objeto de estudos por escolas de negócios, visto os nítidos fracassos na continuidade de negócios,por falta de uma cultura coesa.

E indo mais a fundo, como fomentar e manter esta cultura se só conheço meu líder através de conexões digitais? Como criar espaços para criação, interação e troca, que tanto fez e faz parte dos ecossistemas dentro e fora das organizações?

Não podemos esquecer que o ser humano é relacional. Vários estudos mostram que o nível de felicidade das pessoas, bem como sua saúde e longevidade,  estão intimamente atrelados a quantidade de relações humanas, amigos e viagens. Infelizmente, observamos um aumento de violência, depressão, obesidade e tantas outras sequelas que teremos que seguir lidando.

A tecnologia tem auxiliado as empresas a manter seus negócios e conectar pessoas. E agora temos a oportunidade de unir os dois mundos. E já existe um anseio global por isso, o que significa, ter a vida de volta, mas incorporando tudo o que conquistamos durante a pandemia, como por exemplo, ter flexibilidade e um propósito maior em tudo que fazemos.

Portanto, vamos juntos construir este novo normal e aprender com tudo isto, sem levantar uma bandeira única. Afinal, isto seria ter a rigidez da qual há tanto tempo temos tentado escapar.

*Marcelo Lorencin é fundador e CEO da Shift

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