O novo estilo de liderança

Bruno Cerruti*

20 de junho de 2021 | 06h30

O atual cenário de incertezas e de instabilidade, sob a influência de rápidas e constantes mudanças, gerou transformações importantes nas organizações e impôs profundas alterações ao perfil das lideranças.

O entendimento de liderança como cargo ou posição social perdeu espaço. Em alta está o líder engajado, que gera confiança dos profissionais e promove o compartilhamento de ideias e decisões com toda a equipe. É bom anotar que as empresas, hoje, lidam com um novo perfil de colaboradores. Estes, passaram a buscar um propósito em sua jornada profissional e almejam participar ativamente das atividades e decisões da organização. Para se ajustar aos novos modelos de trabalho, o traço da liderança contemporânea deve, assim, ser marcado pela influência e não mais pela autoridade.

Construir uma relação de confiança com os colaboradores passou a ser imperativo, assim como incentivar o desenvolvimento profissional, o diálogo, se mostrar aberto a novas ideias e compartilhar tarefas e responsabilidades. A relação entre líder e liderados, portanto, se sustenta na parceria e na colaboração mútua. O bom líder incentiva os funcionários a atingir bons resultados, a crescer profissionalmente e a desenvolver autonomia no ambiente de trabalho. Quanto melhor for a integração do líder com seus colaboradores, maior a possibilidade de formar uma equipe produtiva.

A liderança, contudo, não pode ser exercida de maneira uniforme, vale lembrar. É preciso considerar a diversidade e a individualidade de cada membro da equipe. Deve, por assim dizer, ser personalizada, compreendendo a singularidade das pessoas e as motivações individuais. Mais do que cuidar da equipe, um gestor bem sucedido deve personalizar o jeito de delegar tarefas e cobrar resultados. Saber como lidar com a individualidade das pessoas é o ponto de partida para uma liderança eficaz.

Mas para que essa nova liderança seja de fato exercida no mundo real, é preciso colocar alguns conceitos em prática. Ambientes tradicionais, nos quais a motivação se traduz em recompensa para o trabalho bem feito ou em punição, caso seja realizado de maneira inadequada, não se encaixam mais às necessidades dos ambientes criativos e inovadores.

Daniel H. Pink, escritor de best sellers que em seus ensaios analisa negócios, trabalho e comportamento, é categórico em recomendar a motivação intrínseca – quando as pessoas são auto motivadas dentro do ambiente de trabalho. Para ele, há três grandes motivadores que são pilares da inovação e a da criatividadeautonomia – a possibilidade dos colaboradores pensarem e  traçarem novas soluções dentro da empresa; a maestria  – o incentivo  para que  colaboradores melhorem constantemente suas habilidades através do aprendizado e da prática; e o propósito – a definição de  objetivos que tornam as pessoas mais produtivas e engajadas.

Pink também destaca a necessidade de os líderes saírem da zona de conforto, pensarem além das estruturas convencionais e serem visionários. Ao antecipar as mudanças que ocorrem no ambiente competitivo, os líderes contemporâneos devem entender as novas dinâmicas do mercado, alavancar a experiência de diferentes gerações e abraçar a curiosidade e a diversidade para potencializar novos olhares sobre problemas e soluções. Isso inclui criar maneiras e estilos de melhorar a comunicação e a interação com os profissionais, seja falando diversas línguas, usando a tecnologia, ou desenvolvendo soft skills como sensibilidade, empatia e mente aberta.

Com as constantes mudanças e a necessidade de se diferenciar da concorrência, o líder precisa pensar em novos processos, novas tecnologias e até em um novo modelo de negócios para andar à frente da concorrência. Cabe ao líder reconhecer e comunicar de forma eficiente os objetivos e valores da organização e ter um planejamento estratégico bem definido.

Liderar é, sem sombra de dúvida, uma tarefa complexa no mundo atual. Mas por certo, as transformações geradas no perfil das lideranças irão trazer importantes contribuições positivas para os negócios.

*Bruno Cerruti, consultor da Bip Consultoria Internacional

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