O mundo pós-pandemia

Victor Raful*

17 de junho de 2020 | 03h30

Não é necessário ser futurólogo para saber que a crise mundial, consequência da pandemia do novo coronavírus, torna este ano bem volátil, porque na verdade ninguém pode dizer ao certo quando a economia vai voltar a acelerar e se não haverá necessidade de se voltar a um período de quarentena. No entanto, os especialistas preveem que a atividade econômica terá um comportamento em “U” ou “V”, em que há queda brusca, mas recupera-se a partir da normalidade até o fim de 2021.

Essa recuperação, no entanto, não será linear, atingindo igualmente todos os setores de atividades, embora todos tenham sido afetados, em alguma medida, pelos efeitos da pandemia. Existem áreas que, por acompanharem a evolução dos mercados, estarem mais preparadas tecnologicamente e diversificarem atuações e canais, conseguiram, e conseguem, estar mais fortes neste momento de crise.

Por isso, acredito que precisamos pensar não somente no curto e no médio prazo, quando se sentirão os efeitos mais imediatos do vírus e da crise, mas sim nas consequências e no legado do momento atual no longo prazo.

O segmento de consumo, como varejista, alimentício, automotivo etc, será pressionado ainda mais a adotar alternativas tecnológicas e digitais que permitam ao consumidor adquirir produtos e serviços com mais conveniência, rapidez, sem deslocamento e segurança. Provavelmente serão os setores mais afetados pelo período atual, já que muitas questões passarão a ser debatidas, tais como trabalho, deslocamentos, produtividade, posses, compras, digitalização, processos e modo de vida, entre outros.

As pessoas provavelmente ainda ficarão receosas com relação a aglomerações, conversas próximas e contato em geral. Isso vai impulsionar ainda mais os processos de digitalização, o que poderá marcar o mundo pós-covid-19, reduzindo a burocracia e melhorando processos.

Em relação a outros setores, a perspectiva é de que a saúde terá de ser revista mundialmente e sofrer grandes mudanças em seus controles, métodos e fornecedores. Além de precisar enfrentar desafios políticos.

Commodities em geral já são afetadas desde o início da pandemia, mas podem também sentir os efeitos em um prazo mais longo. O motivo é que os conceitos deverão mudar, levando o consumidor a reduzir certos consumos e rever outras alternativas que afetarão mercados.

Por fim, no segmento público, órgãos e instituições precisarão acelerar processos, desburocratizar sistemas e estar mais próximos do cidadão, ao mesmo tempo que terão de se tornar  mais justos e eficientes no trabalho oferecido.

*Victor Raful é CEO da Digicarro

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