O mundo continua falando do Lula condenado

O mundo continua falando do Lula condenado

O norte-americano The Guardian relatou que a ‘decisão judicial marcou um impressionante revés para Lula’, a quem classificou como ‘um dos políticos mais populares do país’

Luiz Vassallo

14 Julho 2017 | 05h00

Lula em primeiro pronunciamento após condenação na Lava Jato. / AFP PHOTO / Miguel SCHINCARIOL

Os jornais ao redor do planeta destacaram, nesta quinta-feira, 13, o que chamaram de ‘provocadora’ e ‘desafiadora’ defesa pública e a promessa de candidatura às eleições de 2018 do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em sua primeira fala após ser condenado a 9 anos e 6 meses de prisão pelo juiz federal Sérgio Moro. A declaração do petista de que ele ‘não está fora do jogo’ após sua sentença foi o principal combustível para a repercussão internacional da data seguinte à pena na Lava Jato.

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The Guardian. Foto: Reprodução

O norte-americano The Guardian relatou que a ‘decisão judicial marcou um impressionante revés para Lula’, a quem classificou como ‘um dos políticos mais populares do país’. “Um sério golpe para suas chances de retorno político”, avaliou o jornal, que destacou a ‘defesa ardente’ do petista em sua manchete.

Ainda nos Estados Unidos, o The Washington Post afirmou, em um artigo, que, em meio à crise econômica, os brasileiros estão ‘abandonando o otimismo de Lula’ e classificou o petista como o homem que já foi ‘campeão das massas’, mas agora foi condenado a crimes ‘exclusivos das elites brasileiras’.   “a resposta silenciosa à prisão de Lula de seus apoiantes mostra o quão longe o político de uma vez amado caiu”.

El Nacional. Foto: Reprodução

Na Venezuela, o El Nacional também destacou a promessa de volta prometida pelo petista à disputa eleitoral. O jornal também relatou aos seus leitores que Lula ‘desafiou’ a apresentarem ‘uma só prova’ que o incrimine no processo pelo qual foi condenado.

El País. Foto: Reprodução

O espanhol El País publicou, em manchete, que ‘Lula não renunciou a ser candidato’. “Lula tentou projetar calma em seus seguidores, lembrando que este revés já era esperado”.

Lula é o primeiro presidente condenado na história do país por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, acusado de aceitar o imóvel e suas respectivas reformas como forma de propinas da empreiteira OAS, que teriam custado R$ 2,25 milhões.

A denúncia do Ministério Público Federal sustentava que Lula havia recebido R$ 3,7 milhões em benefício próprio – de um valor de R$ 87 milhões de corrupção – da empreiteira OAS, entre 2006 e 2012. As acusações contra Lula são relativas ao suposto recebimento de vantagens ilícitas da empreiteira OAS por meio do triplex no Guarujá, no Solaris, e ao armazenamento de bens do acervo presidencial, de 2011 a 2016.

O ex-presidente foi sentenciado somente pelo recebimento e ocultação de patrimônio no caso relacionado ao imóvel e absolvido pela acusação de que teria recebido propinas da OAS pelo fato de a empreiteira ter custeado o armazenamento de seus bens junto à empresa Granero.

 

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