‘O MP tem na mão a palavra de um bandido’, diz Haddad

‘O MP tem na mão a palavra de um bandido’, diz Haddad

Candidato a vice-presidente pelo PT na chapa do ex-presidente Lula, reagiu à ação de improbidade do Ministério Público, que o acusa de enriquecimento ilícito na campanha de 2012, quando se elegeu prefeito de São Paulo

Vinicius Neder/RIO

28 Agosto 2018 | 15h34

O ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT). Foto: Werther Sanatana/Estadão

O candidato a vice-presidente pelo PT na chapa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fernando Haddad, desqualificou a ação de improbidade administrativa movida pelo Ministério Público de São Paulo na segunda-feira. Segundo Haddad, a acusação está baseada na “palavra de um bandido”. Além disso, o ex-prefeito sugeriu que a ação foi apresentada para gerar um fato político, já que foi proposta às vésperas da eleição.

Na ação, o MP de São Paulo pede a condenação de Haddad por enriquecimento ilícito e sustenta que o ex-prefeito ‘tinha pleno domínio’ sobre o pagamento, pela UTC Engenharia, de uma dívida de R$ 2,6 milhões da campanha de 2012 à Prefeitura com recursos de caixa 2. A acusação está baseada nos depoimentos de Ricardo Pessoa e Walmir Pinheiro, respectivamente ex-presidente e ex-diretor financeiro da UTC.

“O MP tem na mão a palavra de um bandido”, disse Haddad, em entrevista coletiva após participar de atos de campanha, no Rio. Segundo o candidato a vice-presidente, há registros de oito casos em que delações feitas por Pessoa não foram comprovadas. “Parece que foram oito inquéritos arquivados porque ele não consegue comprovar o que diz”, afirmou Haddad.

O ex-prefeito sugeriu que o MP paulista atua politicamente, já que não investiga suspeitas de corrupção relacionadas ao governo do Estado de São Paulo. Segundo Haddad, em “24 anos de governo do PSDB, tem escândalo em todo o canto”. “E não há nada, não há nenhum procedimento (de investigação)”, disse o ex-prefeito.

Outro sinal de atuação política do MP paulista seria a proximidade com as eleições de outubro. “Uma coisa de três anos atrás aparece faltando 40 dias para a eleição?”, questionou Haddad.

Haddad voltou a afirmar que a gráfica envolvida na acusação não confirmou ter prestado serviços para a campanha eleitoral de 2012. Em nota divulgada na segunda-feira, 27, a assessoria do ex-prefeito e candidato a vice afirmou que demonstrou com documentos que “todo o material gráfico produzido em sua campanha (a prefeito em 2012) foi declarado e que não havia razão para receber qualquer recurso não declarado da UTC”.

Ainda segundo a nota, a UTC ‘teve seus interesses confrontados logo nos primeiros dias da gestão Haddad na Prefeitura de São Paulo, principalmente com a suspensão da construção do túnel da Avenida Roberto Marinho, cuja obra mostrava indícios claros de sobrepreço’.

Na entrevista, Haddad voltou a dizer que o cancelamento dessa obra prejudicou a UTC.

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