O momento das boas práticas

O momento das boas práticas

Raphael Lafetá*

09 de setembro de 2020 | 04h30

Raphael Lafetá. FOTO: DIVULGAÇÃO

A sigla ESG nunca foi tão falada como agora. Proveniente das palavras Ambiental, Social e Governança (Environmental, Social and Governance, em inglês) e existente há anos, o tema tem sido preocupação constante nas corporações atentas com o futuro. Seja pelo momento de pandemia global em que os maiores problemas mundiais ficaram mais evidentes ou apenas pela mudança na forma de pensar da população, a questão é que tem sido cada vez mais cobrada das empresas, por diferentes públicos, a atuação em boas práticas nos temas de responsabilidade social, ambiental e governança.

Se essas boas práticas ainda não estão intrínsecas na cultura de uma corporação, muito se tem feito e estudado para que isso mude mundo afora. Grande parte dessas mudanças se deve ao fato de o mercado financeiro ter cobrado das empresas que elas destinem recursos em práticas ESG para não ficarem fora das grandes carteiras de investimento.

Lançamentos de fundos de investimentos focados em ESG, investidas de fundos soberanos em empresas com políticas ESG bem estruturadas, lançamento de fundo imobiliário ESG são notícias diárias nos cadernos de finanças da grande imprensa. Os grandes investidores fizeram as companhias enxergarem que a adoção dessas práticas, além de benéfica para as sociedades e para o planeta, é capaz de entregar boa performance financeira. E, como sabemos, quando existe questão financeira envolvida, o mundo corporativo faz de tudo para rapidamente se movimentar.

É sabido que o Brasil é um país que precisa, e muito, de ajuda, e essas ações de ESG, além de serem importantes para a imagem das corporações, não deixam de ser um auxílio essencial à sociedade. Seja para as questões sociais, como cuidados básicos com seus colaboradores ou com as comunidades em que a organização está inserida, com investimentos em saúde e educação, ou para as questões ambientais, de gestão das emissões de gases de efeito estufa, redução de consumo de recursos naturais, entre outros, essa ajuda empresarial faz toda a diferença para a construção de um país mais igualitário e com oportunidades para todos.

Já que as grandes corporações detêm boa parte do capital nacional, é mais que correto que um dos principais empenhos para criar um país mais justo aconteça por meio das boas práticas dessas empresas. O Brasil não é adepto à cultura de filantropia, por exemplo, o país doa apenas 0,2% do PIB – o que não está nem perto de ser suficiente dadas as circunstâncias atuais.

Felizmente, o tão falado momento do ESG tem feito com que organizações que não foram constituídas sob essa visão humanística corram para se adaptar. Ações de sustentabilidade e programas permanentes de melhoria da qualidade de vida dos colaboradores e de suas famílias, bem como de todas as comunidades onde se atua, por exemplo, devem passar a fazer parte do DNA das companhias.

*Raphael Lafetá é diretor executivo de Relações Institucionais e Sustentabilidade da MRV

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