‘O meu universo vai bem além do cercadinho’, diz Barroso após ser ofendido por Bolsonaro

‘O meu universo vai bem além do cercadinho’, diz Barroso após ser ofendido por Bolsonaro

Weslley Galzo/BRASÍLIA

06 de agosto de 2021 | 18h36

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso, rebateu as ofensas do presidente Jair Bolsonaro contra ele nesta sexta-feira, 6. Em encontro com apoiadores em Joinville, Bolsonaro associou o magistrado à pedofilia e o chamou de “f.d.p”, elevando mais uma vez a tensão entre os Poderes numa semana em que o Planalto acumulou derrotas no Judiciário. “Eu não paro para bater boca, não me distraio com miudezas. O meu universo vai bem além do cercadinho”, respondeu Barroso.

“Eu sou um ator institucional, não sou um ator político. Portanto, eu não tenho interesse e nem cultivo polêmica pessoais. A conquista e a preservação da democracia foram as grandes causas da minha geração e é a isso que eu dedico a minha vida”, afirmou.

O ministro Luis Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, e presidente do Tribunal Superior Eleitoral. Foto: Gabriela Biló/Estadão

O ministro disse que não são prerrogativas exclusivas da sua atuação a tomada de decisões que impõem contrariedade ao presidente no Judiciário, em especial na pauta do voto impresso, mas, sim, a todos os envolvidos nos processos da Justiça Eleitoral. “De modo que essa obsessão por mim não se justifica e, sobretudo, não é correspondida”, afirmou.

Barroso frisou que o inquérito administrativo instaurado contra Bolsonaro no TSE foi aprovado por unanimidade na última segunda-feira, 2. As investigações vão apurar se o presidente abusou de poder político e econômico, fez uso indevido dos meios de comunicação social, cometeu fraude e corrupção, ao defender efusivamente a aprovação do Projeto de Emenda à Constituição (PEC) do voto impresso, de autoria da deputada bolsonarista Bia Kicis (PSL-DF), derrotada em comissão especial na última quinta-feira, 5. Para defender a legitimidade do texto, Bolsonaro adotou como tática o ataque às instituições e suas autoridades.

As declarações de Barroso em resposta a Bolsonaro foram feitas em um seminário realizado pelo Insper. O evento contou também com a participação dos ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes. Os magistrados discutiram a crise entre os Poderes e como ela afeta a governabilidade, assim como a mudança do sistema de governo no país para o semipresidencialismo.

O projeto foi amplamente defendido por Barroso e Mendes como um mecanismo para mitigar as crises institucionais, mas foi alvo de críticas de Moraes, que enfatizou a importância de definir bem o tipo de modelo presidencial para não concentrar mais poderes na figura do presidente da República.

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