O mercado que não sofre influência política

Diego Velasques*

10 Outubro 2018 | 04h00

O período eleitoral no Brasil sempre foi sinônimo de incertezas na economia. A cotação do dólar sobe. Os mercados ficam ansiosos com o futuro do país. Se o candidato A ou B ganhar, o que vai acontecer? Os próprios candidatos usam o temor dos mercados como discurso para tentar convencer o eleitor de que é melhor votar no candidato 1 do que no candidato 2. Caso contrário, tudo pode estar perdido com a nossa economia.

Por isso, cada vez mais, os investidores estão em busca de opções que não sofram influência do mercado. Um bom exemplo são as moedas digitais, ou criptomoedas, que são relativamente novas em comparação aos mercados tradicionais.

Há poucos meses, um criptoativo em especial ficou mais famoso. Em dezembro de 2017, o Bitcoin chegou a ser cotado em, quase, 20 mil dólares. Ao longo de 2018, o valor teve recuo e a moeda digital estava sendo cotada em cerca de 6.500 dólares, durante a produção deste artigo. Essa grande diferença é o que os analistas chamam de correção do valor da moeda.

Na avaliação de alguns analistas gráficos, o Bitcoin deve ter um novo pico de alta nos próximos meses (para passar por uma nova correção, logo em seguida e, assim, sucessivamente), principalmente se um ETF (Fundo negociado em bolsa de valores) exclusivo de Bitcoin for aprovado pela Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC), o que pode atrair investidores institucionais.

Mas, independentemente disso, entidades financeiras já estão demonstrando sua simpatia ao Bitcoin. A Intercontinental Exchange (ICE), grupo detentor da NYSE (bolsa de valores de Nova York) anunciou semanas atrás uma parceria com empresas, como Microsoft, para a criação da Bakkt, uma startup que fornecerá uma plataforma de negociação e custódia de ativos digitais, cuja previsão de lançamento está marcada para novembro.

Recentemente, a ICE divulgou novos detalhes de que a sua plataforma de criptomoedas Bakkt terá produtos futuros de Bitcoin.

A Bakkt, segundo a ICE, será um “ecossistema regulamentado” para investidores institucionais com o objetivo de obter exposição às criptomoedas e oferecerá contratos futuros negociados com, pelo menos, três moedas fiduciárias: o dólar americano, a libra esterlina britânica e o euro.

No Brasil, a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) informou neste mês entender que os fundos de investimentos podem investir indiretamente em criptoativos no exterior “por meio, por exemplo, da aquisição de cotas de fundos e derivativos, entre outros ativos negociados em terceiras jurisdições, desde que admitidos e regulamentados naqueles mercados”.

A decisão revela a certeza de que o mundo está olhando para o Bitcoin. Ele é a maior criptomoeda em valor de mercado e em volume de negociações, segundo o Coin Market Cap, especializado em cotações de moedas digitais. Só para se ter uma idéia, o volume de negociações de Bitcoin é estimado em US$ 4.426.214.874,00, em um período de 24 horas.

Vale saber que a emissão de um BTC não é controlada por um Banco Central. Ela é produzida de forma descentralizada por milhares de computadores, mantidos por pessoas que usam a capacidade de suas máquinas, para criar bitcoins e registrar as transações.

Por isso, o Bitcoin é considerado um criptoativo mundial. E as oscilações dos mercados locais ou das políticas dos países não afetam o desempenho das criptomoedas.

*Diego Velasques é cofundador e CEO da e-juno, corretora digital em criptomoedas, e também cofundador da Juno Capital, empresa gestora de criptoativos

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