O latifúndio oculto do delator

O latifúndio oculto do delator

Casa de R$ 3 milhões em Jurerê Internacional e fazendas, o patrimônio que o ex-governador de Mato Grosso Silval Barbosa nunca declarou

Julia Affonso, Fábio Serapião, Breno Pires e Rafael Moraes Moura

27 Agosto 2017 | 06h15

Silval Barbosa. FOTO: ED FERREIRA/ESTADÃO

É milionário o patrimônio não declarado do ex-governador de Mato Grosso Silval Barbosa (PMDB). O delator da Operação Ararath revelou-se um latifundiário. Ele contou ao Ministério Público Federal que parte de seus bens, oculta em nome de laranjas, era composto por uma casa de R$ 3 milhões em Jurerê Internacional, destino procurado por milionários em Florianópolis, e uma fazenda de 10 mil hectares, avaliada em R$ 15 milhões.

Os imóveis não declarados de Silval foram revelados em anexo de sua delação premiada. Nesta quinta-feira, 24, o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), abriu inquérito para investigar uma ‘organização criminosa’ que se instalou na alta cúpula do governo de Mato Grosso.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, atribuiu ao ministro da Agricultura, Blairo Maggi, ex-governador de Mato Grosso, o papel de ‘líder’ da organização.

A casa em Jurerê Internacional, segundo Silval, está em nome de ‘do senhor Valdir Piran’. “Passou a ter posse em 30 de janeiro de 2014 no valor aproximado de R$ 3 milhões”, relatou.

Silval revela que obras da Copa foram suspensas por atraso de superpropina a conselheiros do TCE

Janot aponta Blairo, da Agricultura, como líder de organização criminosa

Blairo pagou R$ 4 mi para conselheiro ficar no Tribunal de Contas, diz delator

Silval revelou ter 25% da Fazenda Matão (área de posse), localizada no município de Marcelândia, em Mato Grosso, com 3.360 hectares no valor aproximado de R$ 5 milhões. As terras foram compradas em 2005.

Marcelândia tem população estimada em 10 mil habitantes. Fica a 690 quilômetros da capital Cuiabá.

+ OUÇA: Ex-governador buscou ajuda de Temer para tirar mulher da prisão, diz Promotoria

Na cadeia, mulher de Silval pede garrafa térmica, lençol claro e ‘negocinho’ de amarrar cabelo

O delator disse ter a ‘Fazenda Pantanal, localizada no Município de Pocone, no Mato Grosso, imóvel em nome de Vanderley Torres’.

“Área com aproximadamente 10 mil hectares no valor aproximado de R$ 15 milhões (em garantia junto ao Banco Rural para garantir empréstimo em que Vanderley consta como avalista. Comprada anterior ao ano de 2005 )”, listou.

Pocone fica a 1 hora e meia de carro da capital mato-grossense. O município tem 32 mil habitantes.

O ex-governador afirmou ser controlador de 50% da fazenda Bauru, localizada no município de Colniza, em Mato Grosso, com matricula N-576, cadastro no Incra sob o N-950.068.083.135-7. Colniza fica no norte do Mato Grosso e tem 32 mil habitantes.

“Área total de 80 mil hectares, com 46 mil hectares livres e desembaraçados (o restante de 36 mil hectares está demarcado como de interesse da Funai para expansão de reserva indígena ), valor aproximado da parte de Silval R$ 35 milhões, sendo que desse montante é devido à atual proprietária o valor aproximado de R$ 6 milhões”, informou.

Na lista dos bens ocultos constam ainda 86% da área de terra com 45 hectares no município de Sinop/MT, imóvel em nome da empresa Emave incorporadora S.A, cujo diretor e Valdisio Viriato. O valor aproximado, parte de Silval, corresponde a R$ 600 mil e foi adquirido em 2010, segundo o delator.

Há ainda 70% da área de terra com 54 hectares no município de Sinop/MT, imóvel com Matricula N-36.815. “Valor aproximado (parte de Silval ) R$ 5 milhões”, afirmou o ex-governador. Sinop, com 130 mil habitantes, fica a cerca de 480 quilômetros de Cuiabá.

Mais conteúdo sobre:

Silval BarbosaOperação Ararath