O impacto do terceiro setor dentro das empresas privadas e como crescerá exponencialmente em 2021

O impacto do terceiro setor dentro das empresas privadas e como crescerá exponencialmente em 2021

Nadia Léauté e Juliana Oliveira*

12 de janeiro de 2021 | 03h30

Juliana Oliveira e Nadia Léauté. FOTO: DIVULGAÇÃO

Se tem algo que nós como sociedade notamos em 2020, como resposta a uma das maiores crises sanitárias da história, foi a importância da colaboração e da união por objetivos comuns, tanto entre empresas, quanto entre empresas e sociedade civil, organizações sociais e até mesmo com órgãos públicos. Em tempos de pandemia, a competitividade foi deixada de lado e o melhor caminho encontrado foi o da união de forças.

Mais do que nunca, foi possível evidenciar como tudo está interligado e como dependemos uns dos outros para sobrevivermos em uma situação emergencial. Por que não aplicar a mesma lógica para avançarmos como sociedade no mundo pós-pandemia? Aliás, essa é uma das tendências empresariais para os próximos anos: engajamento social e parcerias.

O gap entre teoria e prática da atuação em rede diminuiu e observamos que apenas através deste meio e da criação de comunidades é que conseguiremos atingir um impacto positivo ampliado, sistêmico e duradouro.

O objetivo de desenvolvimento sustentável (ODS) 17 da agenda 2030 da ONU, sobre parcerias e meios de implementação, que é um dos menos “populares” nos debates sobre sustentabilidade, foi um dos mais importantes para o enfrentamento desta crise.

Neste contexto, o terceiro setor foi de suma importância, não apenas como um dos atores integrantes da rede, mas dando capilaridade às ações, chegando a quem mais precisa de forma estruturada e trazendo à tona as reais necessidades.

Muitas vezes, quando pensamos em parcerias entre empresas privadas e organizações sociais, nota-se na maioria dos casos uma atuação de caráter mais assistencialista, baseado na filantropia e, em geral, em uma relação verticalizada de doação do que se está disponível ou é do interesse da empresa. Neste novo cenário, a escuta aberta às verdadeiras demandas da ponta foram essenciais para uma atuação assertiva e eficaz.

A Nestlé firmou uma parceria global com a Cruz Vermelha, mas só após longas conversas, chegou-se a definição que a ajuda devia vir em forma de equipamentos de proteção individual para os profissionais de saúde e voluntários que estavam trabalhando em campanhas educativas, e não em investimento em testes para covid-19 ou a compra de respiradores, como achava a empresa.

Uma comunicação mais clara entre empresas e agentes sociais para entender qual a melhor atuação juntos é o caminho para projetos de impacto a longo prazo. E nem sempre as companhias estão preparadas para mapear estas necessidades, ou possuem equipes especializadas, dando espaço para a contratação de empresas e plataformas que atuem no setor 2.5, com know-how necessário para criar e gerir ações.

A pandemia motivou também pessoas físicas a se engajarem em causas sociais, um dos resultados foi o recorde de doações a ONGs no dia da filantropia em Outubro/2020.

O pilar de responsabilidade social das empresas não é mais um extra mile, tornou-se o core da estratégia da empresa, com a missão de construir parcerias de longo prazo entre empresas e organizações sociais incentivando um capitalismo mais responsável.

Para 2021, a reflexão que fica é como as empresas podem ter uma atuação mais a longo prazo e menos pontual; como juntos, construirmos parcerias sólidas na criação de valor compartilhado, trazendo o terceiro setor para a mesa de discussão e para a co-criação de soluções, ao invés de atuarmos com o antigo mindset de assistencialismo e de serem colocados no papel de beneficiários passivos.

Quem vai ganhar mais market share em 2021 não será quem terá o melhor produto ou serviço, mas quem souber se posicionar frente aos desafios da sociedade. Faz tempo que o consumidor espera uma postura pública, política dos CEOs das empresas. Não dá mais para ficar esperando ‘passar’ aquele assunto, a empresa tem que rapidamente se posicionar e mais que isso fazer o ‘walk the talk’ da política de CSR que significa construir parcerias econômicas de longo prazo com entidades que mudam o Brasil, muitas vezes se substituindo ao poder público nas comunidades mais carentes do Brasil.

*Nadia Léauté, criadora do Blend Inspire, startup que conecta marcas e empresas a artistas e ao terceiro setor

*Juliana Oliveira, responsável pelo programa Nestlé por Crianças mais Saudáveis no Brasil. Ganhou em 2019 o Prêmio do Pacto Global da ONU. Foi reconhecida como intraempreendedora de impacto pela Liga Intraempreendedores em 2020

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