O impacto das redes sociais e a busca pela perfeição

O impacto das redes sociais e a busca pela perfeição

Eduardo Sucupira*

19 de março de 2021 | 03h35

Eduardo Sucupira. FOTO: DIVULGAÇÃO

Como as redes sociais podem impactar na forma como a qual nos enxergamos? A doença da beleza denominada de Dismorfobia, pode ser potencializada com o uso desenfreado das midias sociais. O transtorno dismórfico corporal (TDC) é uma condição psicológica que se caracteriza pela preocupação, sem controle, com a aparência. Seus portadores dão importância exagerada a defeitos pequenos que, apesar de imperceptíveis para outras pessoas, assumem uma dimensão enorme aos seus olhos.

A preocupação excessiva com seus traços estéticos e a comparação com outros pessoas torna-se inevitável a medida que consumimos um conteúdo que nao nos diz respeito. A busca pela perfeição pode levar a decisoes impensadas como por exemplo a realização de um procedimento estético irreversível. Pode, além do mais desencadear ansiedade e isolamento e fobia social e até depressão.

Sentir-se bem com a sua aparência é fundamental, mas é necessário cautela. A beleza e saúde são temas sérios e os procedimentos cirúrgicos, bem como aqueles minimamente invasivos exigem cuidados e devem ser realizados por profissionais habilitados. Afinal de contas, qualquer falha ou imprecisão pode comprometer os resultados almejados e, principalmente, a saúde e segurança do paciente.

A cirurgia plástica busca melhores resultados, no entanto é muito importante ressaltar e entender a importância da conversa paciente/médico para que seja possível compreender expectativas entender as possibilidades e assimilar as possibilidades de resultados. Durante o processo, alguns fatores independem da capacidade do cirurgião, de forma responsável não é possível garantir resultados pré-determinados. Idade, peso, espessura e textura da pele, influências hereditárias e hormonais , além do momento psicológico vivido pela (o) paciente, dentre outros irão influencia nos resultados.

A cirurgia plástica no Brasil cresce a cada ano. Mais e mais pessoas recorrem às clínicas para corrigir algum defeito e se aproximarem do corpo ideal. E as cirurgias plásticas estão longe de ser uma vaidade feminina.

Homens também procuram os cirurgiões, especialistas em busca de cirurgias cada vez menos invasivas e com cicatrizes pouco perceptíveis. É muito importante uma conversa clara e transparente com o paciente.

Cirurgia plástica é um passo importantíssimo na vida de uma pessoa. Pacientes bem orientados, podem beneficiar-se dos resultados que irão lhe conferir bem estar e resgate da autoestima. Afinal, como nos ensina o mestre Ivo Pitanguy, a maior revolução da cirurgia plástica é atingir naturalidade… é conseguir fazer com que uma correção feita seja imperceptível… e o normal é o que não se nota.

*Eduardo Sucupira, cirurgião plástico. Especialista e membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Membro titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões (CBC) e da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS). Membro internacional da American Society for Aesthetic Plastic Surgery (ASAPS). Mestre e doutor pelo Programa de Cirurgia Translacional da Escola Paulista de Medicina pela Universidade Federal de São Paulo

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