O impacto da pandemia nas tendências tecnológicas de 2021

O impacto da pandemia nas tendências tecnológicas de 2021

Nedyr Pimenta Filho*

06 de março de 2021 | 04h00

Nedyr Pimenta Filho. FOTO: DIVULGAÇÃO

A pandemia do novo Coronavírus afetou, de muitas maneiras, a maioria das empresas em diferentes setores da economia. No entanto, em meio a muitos desafios, o cenário também ofereceu inúmeras oportunidades. Desta forma, tudo indica que as mudanças promovidas pela pandemia devam moldar as principais tendências tecnológicas a serem incorporadas em 2021.

Estamos caminhando para uma era de XaaS (Everything as a Service), no qual as organizações vão desempenhar suas missões por meio de ambientes tecnológicos cada vez mais descentralizados e baseados em serviços sob demanda. O trabalho remoto com a colaboração virtual, por exemplo, deve continuar sendo um modelo desejado em muitos segmentos, mesmo após o fim desse período de incertezas decorrentes da pandemia.

Nesta mesma linha, é possível identificar tecnologias que devem se destacar como tendências para o ano de 2021, como internet de comportamentos (IoB ou Internet of Behaviors); interações cada vez mais móveis, virtuais e distribuídas; computação que melhora a privacidade, por meio de tecnologias que protegem os dados; distribuição de serviços de nuvem pública para diferentes locais físicos; operações de qualquer lugar, com experiências virtuais e físicas aprimoradas; processos de negócios e construções inteligentes e adaptáveis; engenharia de inteligência artificial e a hiperautomação.

De certa forma, o impacto dessas tendências não deve ser generalizado, uma vez que depende de um amplo conjunto de aspectos estruturais, operacionais, financeiros e culturais dentro de cada empresa. Os casos melhor sucedidos serão daquelas organizações que acolherem os benefícios da agilidade, flexibilidade e escalabilidade desses modelos como uma jornada e não apenas como um destino.

Como estas tendências tecnológicas contribuem para os negócios?

As iniciativas para melhorar as jornadas dos clientes estão intimamente relacionadas à adoção de novas tecnologias digitais. Uma gestão eficiente do Customer Experience (CX) promove não apenas a automação dos processos, mas também a redução dos custos de atendimento e melhoria na satisfação.

Mais do que nunca, a área de TI assume um papel estratégico na construção de futuros possíveis. Entretanto, a transformação digital é uma jornada de todos dentro da organização. Por isso, as funções da TI cada vez menos serão exercidas de forma isolada por uma única área ou departamento, o que reforça como as equipes multidisciplinares são imperativas para enfrentar a disrupção digital. Os projetos demandam diferentes conhecimentos, competências e experiências e, neste contexto, profissionais generalistas serão tão valorizados quanto os especialistas.

Quais áreas tendem a investir nessas tecnologias?

Todas as áreas devem seguir essa linha de implantação tecnológica. O mundo está se digitalizando, mas no setor de serviços, hoje, esse processo é uma obrigação. Os bancos tradicionais possuem legados e processos que foram consolidados ao longo dos últimos vinte anos. A mudança nessas instituições tradicionais não se concretizará facilmente, mas, no início deste ano, já temos grandes bancos, por exemplo, divulgando planos de redução de agências, símbolo maior de um modelo não digital. Operar 100% digitalmente ainda é um desafio, mas com adaptações na legislação, por exemplo, os bancos com portfólios mais abrangentes poderão atingir esse objetivo.

Com a adoção do Open Banking e a chegada dos Pagamentos Instantâneos – PIX, esse cenário de bancos 100% digitais, no qual os clientes cada vez mais resolvem tudo pelo celular, faz com que as instituições procurem investir menos em agências físicas e mais em ambientes, tecnologias e facilidades que valorizem a experiência dos usuários.

A importância de cibersegurança

De acordo com recente estudo da Forrester Research, as violações de dados provocadas por incidentes internos aumentaram de 25% para 33%, em 2020. O Brasil é um dos locais mais suscetíveis a ataques desta natureza e, hoje, já é o segundo maior país em perdas financeiras por ataques cibernéticos. Muitos ocorrem por ingenuidade dos usuários, levados a criar as oportunidades para os invasores, por isso, um plano de comunicação e conscientização é importantíssimo. Atrelado a isso, existe uma série de medidas tecnológicas para evitar os ataques. A mais comum é a adoção de antivírus. Além disso, adotar biometria facial para que os usuários acessem as aplicações e o ambiente corporativo também proporciona mais segurança.

A tendência é que as empresas adotem padrões mais rígidos de segurança, com adoção de transações criptografadas de ponta a ponta, firewalls, políticas de segurança e outros artefatos. Assim, se estabelecem várias proteções, padrões de serviços de privacidade e elementos de segurança na concepção do produto.

O fato é que a tecnologia impactou a maneira como interagimos e nos conectamos com o mundo e, no cenário corporativo, o avanço da transformação digital tem tido um papel fundamental na competitividade das empresas. Se com a pandemia, foi necessário que as empresas se reinventassem em 2020, agora, só sobreviverá aqueles que mantiverem os investimentos e seguirem apostando em inovação.

*Nedyr Pimenta Filho é diretor de Inovação da Provider IT

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