O impacto da covid-19 na Educação

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O impacto da covid-19 na Educação

Tamara Pasquali*

04 de maio de 2020 | 12h45

Tamara Pasquali. FOTO: DIVULGAÇÃO

Pessoas assintomáticas, contágio acelerado, ausência de vacina e necessidade de isolamento social. Todos esses fatores, que resumem de forma superficial o vírus covid-19, foram recebidos pelo mundo tal qual o efeito de uma bomba atômica.

As rotinas tiveram que ser alteradas, as necessidades pessoais também, a estação de trabalho deixou o escritório e foi parar no meio da sala, da cozinha ou do quarto. Nunca se falou tanto em VPN, Sala Virtual e Videoconferências.

Mas, e a sala de aula? Quais os desafios para levar tudo o que é necessário para dentro da sala de estar da própria casa?

A solução não é nada simples, principalmente quando não se dispõe de um tempo adequado para planejamentos ou períodos de adaptação.

Em São Paulo, quando o Decreto que determinou a suspensão das aulas escolares foi publicado, apenas dez dias separaram as escolas de sua rotina normal para uma rotina totalmente imersa dentro da casa dos alunos, e o desafio é maior do que muitos podem imaginar.

Diferente do conceito de homeschooling, também conhecida como educação domiciliar – onde os pais são inteiramente responsáveis pelo aprendizado de seus filhos, que não frequentam o sistema regular de ensino e existe a liberdade de planejamento e abordagem – a tarefa de transmitir a experiência da sala de aula na casa de crianças e adolescentes que são alunos regulares mostra-se uma matemática muito mais complexa.

Isso porque a importância da frequência escolar não está apenas no conteúdo e conhecimento transmitido, sendo de extrema relevância ressaltar que o ambiente escolar também propicia a construção e fixação de valores e alicerces fundamentais para as jovens mentes em formação.

Ou seja, além de desenvolver formas para compartilhar o conteúdo das matérias e atividades de forma alternativa, coube também aos professores, coordenadores e diretores de estabelecimentos de ensino a difícil missão de continuar auxiliando em questões fundamentais para os alunos e que – naturalmente – sempre estiveram presentes, porém na forma de uma matéria multidisciplinar invisível.

Para melhor ilustrar a sensibilidade do exposto acima, basta lembrar da importância da escola para as crianças durante a primeira infância – que ocorre até o 6° aniversário -, para elas a frequência escolar é altamente relevante para o desenvolvimento da socialização, tolerância, resistência à frustração, desenvolvimento da linguagem, além de colaborar ativamente para o aprendizado dos primeiros conceitos comportamentais, organizacionais e tudo que envolve sua rotina.

Engana-se quem pensa que a formação comportamental é importante apenas para os pequenos, devemos lembrar que a fase da adolescência também é uma fase de identificação do individuo e é exatamente dentro do ambiente escolar que muitos desses alunos sentem-se respeitados e valorizados.

Então, qual a complexa equação que as escolas devem enfrentar no meio dessa pandemia para garantir que não apenas o seu conteúdo programático seja mantido, mas também evitar que o isolamento social seja um isolamento total de seus alunos, respeitando as diferenças e necessidades existentes entre crianças ou adolescentes?

A resposta já estava dentro da sala de aula, mas num papel não tão heroico assim: o celular.

Se na era pré-covid, que já parece algo tão distante, os celulares e dispositivos eletrônicos em geral, eram vilões na sala de aula e um obstáculo na relação de proximidade entre alunos e professores, são eles hoje que viabilizam um pouco de normalidade dia após dia.

Obviamente, diante da rapidez com que tudo vem ocorrendo, não são todas as escolas que estão aptas à reproduzir com perfeição todo seu conteúdo de forma virtual ou manter uma rotina de encontros on-lines com seus alunos, mas tal acontecimento serviu como um pontapé inicial para que muito professores pudessem abrir os olhos para a tecnologia e deixar os preconceitos de lado.

Por outro lado, também temos pais que estão sentindo bem de perto o quão grande é a missão de participar ativamente do sistema de aprendizado de seus filhos, o que também traz um momento de reflexão sobre o valor do professor em um país que ignora tanto a importância da educação quanto o nosso.

Se antes, muitos afirmavam que as escolas estavam longe de uma inovação tecnológica, hoje podemos comprovar que com otimismo, força de vontade e uma conexão à internet, nada está tão distante.

A tecnologia foi capaz de transformar cada cantinho da casa dos alunos em um pedaço da sala de aula, as plataformas de videoconferência – antes usadas quase que exclusivamente pelo pessoal da gravata – agora são tomadas por uma galera mais descolada e alegre, algumas cozinhas foram transformadas em laboratórios de química, os sons dos joguinhos foram substituídos pela voz da professora que recita um poema ou pelo acorde do professor que ensina uma nova canção.

Se podemos extrair uma certeza de todo este cenário, é que a tecnologia permite que o conhecimento chegue à qualquer lugar e que isso não implica solidão, e, mais ainda, que os limites da tecnologia quando acoplados às asas da educação nos levam à um universo imenso de aprendizado, mas sem permitir que a gente esqueça que bom mesmo é aprender que não estamos sozinhos.

*Tamara Pasquali, advogada do Opice Blum, Bruno, Abrusio e Vainzof Advogados Associados com especialização em direito digital e tecnologia da informação em curso pela Escola Politécnica de SP

Referências utilizadas

https://exame.abril.com.br/blog/crescer-em-rede/por-que-nossas-escolas-ainda-estao-tao-distantes-da-inovacao/

https://exame.abril.com.br/blog/crescer-em-rede/como-a-tecnologia-pode-ajudar-nossas-escolas-a-vencer-o-coronavirus/

https://maristalab.com.br/adolescencia/qual-a-importancia-da-escola-na-vida-do-adolescente/

https://novosalunos.com.br/entenda-a-importancia-da-escola-na-primeira-infancia-da-crianca/

https://neurosaber.com.br/qual-e-a-idade-da-primeira-infancia/

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