O impacto da covid-19 e as mudanças no planejamento financeiro das famílias brasileiras

O impacto da covid-19 e as mudanças no planejamento financeiro das famílias brasileiras

Thiago Hagui*

17 de julho de 2020 | 08h00

Thiago Hagui. Foto: Divulgação

A crise sanitária provocada pela pandemia da covid-19 afetou a saúde e o bolso de milhões de brasileiros. Recente pesquisa realizada pelo Serasa revelou que 89% dos brasileiros tiveram sua renda reduzida devido à crise e às medidas de isolamento social. O cenário revelado demonstra o momento difícil em que a população brasileira está passando, mais especificamente para os que trabalham em pequenas e médias empresas. Além disso, também demonstra que os problemas que ocorrem atualmente se manterão nos próximos meses ou até mesmo nos próximos anos. Ou seja, a reorganização do planejamento financeiro será um dos grandes desafios das famílias no país.

O estudo foi realizada de maneira online com mais de 350 pessoas, entre 18 e 74 anos (55% homens e 45% mulheres), de todas as regiões do Brasil. Dentre os resultados, destaca-se que 73% da população economicamente ativa foi afetada pela pandemia, o que resultou no aumento do desemprego em 5 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano passado – 41% dos entrevistados apontam a pandemia como causa desse aumento do desemprego.

De acordo com a pesquisa, 14% declaram estar desempregados, sendo que a maior parte deles trabalhava em empresas de pequeno e médio porte. Além desse número total, soma-se o fato de que os empregos, e consequentemente, a renda perdida, atingem famílias inteiras em mais da metade dos casos.

A pesquisa ainda revela um cenário complexo dentre os entrevistados:

  • 70% são responsáveis pelo suporte das contas da casa;
  • 54% dos que perderam o emprego ganhavam até 2 salários mínimos;
  • 53% afirmam que todos da família perderam renda por causa da crise.

Em relação ao modo como essas famílias têm se organizado financeiramente, a pesquisa revelou um comportamento de priorização dos pagamentos das contas da casa – um comportamento habitual em momentos de crise. Dentre os itens priorizados destaca-se, em ordem decrescente: Alimentação – ocupa o 1º lugar na lista de priorização; seguido pelos gastos com moradia, tais como: energia, gás e água, telefonia (celular); e, por último na lista de priorização, educação.

Cabe uma análise ao fato de que o item educação tenha sido o último colocado na lista de priorização de pagamentos: os dados da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo revelam que no ano de 2020 houve um aumento de 10 vezes na migração de alunos do ensino médio privado para as escolas públicas.

Além de se observar um padrão de como as contas de casa foram priorizadas, a pesquisa revela ainda que 91% dos respondentes pretendem fazer um empréstimo financeiro pessoal como alternativa para manter os pagamentos mínimos das contas. No entanto, cabe uma ressalva: sem emprego e geração de renda, os desempregados conseguirão obter empréstimos apenas sob condições de juros elevados. E caso o cenário econômico não melhore no curto prazo (com a geração de empregos e melhores salários), aqueles que tomarem empréstimos sob condições de juros mais altos farão parte da grande massa de brasileiros endividados com seus CPFs negativados.

Portanto, é possível concluir que os dados coletados pelo Serasa reforçam que o planejamento financeiro pessoal para tempos de crise é essencial para que famílias passem por esse período da maneira menos estressante e traumática possível. Uma alternativa é buscar ajuda profissional através de um planejador financeiro, que é o profissional que possibilita trazer clareza às difíceis questões financeiras – como priorização de contas e alternativas de geração de renda – de maneira prática, objetiva e buscar soluções viáveis de curto, médio e longo prazo.

*Thiago Hagui é planejador financeiro Pessoal na GFAI, engenheiro e pós-graduado em gestão de projetos

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