O homem será para o que nasceu ser: livre e independente

O homem será para o que nasceu ser: livre e independente

Luiz Paulo Ferreira Pinto Fazzio*

18 de junho de 2019 | 06h00

Luiz Paulo Ferreira Pinto Fazzio. FOTO: DIVULGAÇÃO

Brookline é uma pequena cidade no estado de Massachusetts com pouco mais de 54 mil habitantes. Junto com as cidades vizinhas de Newton e de Brighton, formam um importante centro cultural para a comunidade judaica. Também é conhecida por ser a cidade de nascimento de John Fitzgerald Kennedy, o 35.º presidente dos Estados Unidos.

Nascido em 29 de maio de 1917, JFK venceu a eleição presidencial em 1960. Dezessete dias após vencer a eleição, no dia 25 de novembro, nasceu seu filho John Fitzgerald Kennedy Jr. JFK tomou posse em 20 de janeiro de 1961 e foi assassinado em Dallas em 22 de novembro de 1963, três dias antes de JFK Jr. completar 3 anos de idade.

A longa amizade entre JFK Jr. e Donald John Trump, 45° e atual presidente dos Estados Unidos, teria sido interrompida no dia 16 de julho de 1999, quando a aeronave Piper PA-32R-301, Saratoga II, pilotada por JFK Jr. teria caído no Oceano Atlântico, próximo a ilha Martha’s Vineyard, ao sul de Cape Cod em Massachussets. Sua esposa e cunhada estariam na aeronave.

Poucos meses antes de ser assassinado, no dia 27 de abril de 1961, num conhecido hotel de Nova Iorque, JFK fez o discurso “o Presidente e a Imprensa”, em evento da Associação Americana de Editores de Jornais, no qual abordou, dentre outros temas, ainda atuais, a repugnância da palavra secreto em uma sociedade livre e a aversão de um povo intrínseca e historicamente avesso às sociedades secretas.

Naquele dia, ele denunciou uma conspiração monopolística e impiedosa ao redor do mundo, se opôs a ela, e destacou que nenhum presidente devia temer a inspeção pública de seu programa, porque dessa inspeção vem a compreensão, vem o apoio ou a oposição, e ambos são necessários.

Recordou o legislador ateniense Solo (que decretou ser crime para qualquer cidadão não recorrer de controvérsia) para reafirmar a importância da imprensa, protegida constitucionalmente, para entreter e divertir, não para acentuar o trivial e o sentimental, não para simplesmente dar ao público o que ele quer, mas para informar, desvendar, refletir e indicar perigos e oportunidades, para indicar crises e escolhas, para dirigir, moldar, educar e às vezes enfurecer a opinião pública.

Durante um jantar com líderes militares e suas esposas, em 6 de outubro de 2017, em frente às câmeras de emissoras de televisão, o presidente dos Estados Unidos perguntou aos jornalistas se eles sabiam o que aquilo representava e afirmou, num tom enigmático: “maybe the calm before the storm”. Até hoje há diversas interpretações sobre o sentido e o alcance da frase.

No próximo dia 4 de julho, os Estados Unidos completarão 243 anos desde a Declaração de Independência de 1776, assinada por Thomas Jefferson, o terceiro presidente daquele país. A ele é atribuída a seguinte frase: “quando um homem assume uma função pública, deve considerar-se propriedade do público”.

Seria inimaginável para o povo americano, e para o mundo, se JFK Jr. e sua esposa Carolyn reaparecessem no dia 4 de julho e, oportunamente, tornassem públicos os motivos pelos quais precisaram desaparecer no dia 16 de julho de 1999, talvez desdobramentos do que JFK denunciou em 27 de abril de 1961.

*Luiz Paulo Ferreira Pinto Fazzio, advogado

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