O homem da mala e o operador financeiro do PMDB estão na Papuda

O homem da mala e o operador financeiro do PMDB estão na Papuda

Transferido para penitenciária, Rocha Loures terá como companheiro Lúcio Funaro, que está detido desde julho de 2016

Fabio Serapião, de Brasília, e Fausto Macedo

08 de junho de 2017 | 05h00

Rocha Loures e Lúcio Funaro. FOTOS: Dida Sampaio e Helvio Romero/Estadão

O ex-assessor do presidente Michel Temer Rodrigo Rocha Loures deixou nesta quarta-feira, 7, a Superintendência da Polícia Federal em Brasília com destino ao complexo penitenciário da Papuda. Flagrado correndo com uma mala com R$ 500 mil entregues por executivos do Grupo J&F, Rocha Loures estava preso na PF desde o sábado, dia 3.

O ex-assessor de Temer chega à Papuda enquanto sua defesa tenta postergar seu depoimento aos investigadores e evitar que seus cabelos sejam raspadas na entrada do sistema prisional.

No caso do depoimento, o advogado Cézar Bitencourt conseguiu cancelar por mais um dia após protocolar um pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) solicitando que o ex-deputado falasse somente após a defesa ter acesso à íntegra do processo. Como o STF não decidiu, o encontro previsto para a manhã de ontem ainda não tem data confirmada para acontecer.

A defesa também entrou com um pedido para que fosse assegurada a “integridade física” de Loures e apontou a vontade dele de não ter os cabelos raspados “como fizeram no Rio de Janeiro com Eike Batista”. Embora no sistema prisional carioca seja praxe raspar a cabeça, no Distrito Federal, assim como em Curitiba, os presos da Lava Jato não têm sido obrigados a cortar as madeixas.

Na Papuda, Rocha Loures terá como companheiro outro investigado na Lava Jato que promete complicar ainda mais a situação do presidente Michel Temer. O corretor Lúcio Funaro está na penitenciária desde julho de 2016, quando foi preso pela operação Sépsis.

Após ter a irmã presa por receber valores em seu nome do empresário Joesley Batista, Funaro reiniciou uma negociação com a PGR em busca de acordo de colaboração premiada. Joesley aponta o corretor como operador financeiro de Eduardo Cunha e do PMDB da Câmara – grupo político de Temer. Na proposta, ele promete dar detalhes sobre sua relação com o presidente e ainda cita outros aliados como possíveis delatados.

Com os dois, a penitenciária reúne os principais aspirantes a algoz de Temer até o momento. Os dois podem confirmar detalhes da conversa gravada por Joesley no Palácio do Jaburu. Rocha Loures teria a oportunidade de explicar porque Temer o indicou como intermediário nos assuntos de interesse do empresário e Funaro sabe os motivos que levaram o dono da JBS a dar satisfação ao presidente sobre a mesada entregue a ele a fim de evitar problemas.

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