O ‘homem da mala’ de Sérgio Cabral

O ‘homem da mala’ de Sérgio Cabral

Lava Jato mira em Carlos Miranda, sócio e apontado como operador de propinas do ex-governador do Rio; os dois foram presos na Operação Calicute na quinta-feira, 17

Julia Affonso, Fausto Macedo, Ricardo Brandt e Mateus Coutinho

19 de novembro de 2016 | 06h35

Cabral foi preso pela Lava Jato. Foto: Wilton Junior/Estadão

Cabral foi preso pela Lava Jato. Foto: Wilton Junior/Estadão

Um dos supostos operadores de propina do ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB) era conhecido como ‘o homem da mala’, segundo investigação da Operação Calicute, desdobramento da Lava Jato. Carlos Miranda é suspeito de controlar a ‘contabilidade paralela’ do esquema cuja liderança é atribuída ao peemedebista.

“Carlos Miranda, de acordo com o depoimento dos colaboradores e lenientes, era o operador financeiro do ex-governador do Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, sendo que ficou conhecido, inclusive, como sendo “o homem da mala” de Sérgio Cabral”, aponta o pedido de prisão do peemedebista, da força-tarefa conjunta da Calicute Lava Jato.

Trecho do pedido de prisão do Ministério Público Federal.

Trecho do pedido de prisão do Ministério Público Federal.

Sérgio Cabral é investigado pelas forças-tarefa da Lava Jato no Paraná e no Rio. O ex-governador é acusado de recebeu propinas milionárias de empreiteiras que prestavam serviço para o Estado. O esquema de corrupção pode ter movimentado R$ 224 milhões em vantagens indevidas, de acordo com apuração da Lava Jato.

O recebimento de dinheiro em espécie por Carlos Miranda foi mencionado por ao menos seis executivos, três da Andrade Gutierrez (Rogério Nora, Clóvis Primo e Alberto Quintaes) e três da Carioca Engenharia (Eduardo Backheuser, Rodolfo Muntuano e Tânia Fontenelle).

Os delatores afirmaram que Miranda foi a pessoa indicada por Sérgio Cabral e pelo ex-secretário do Governo do Rio Wilson Carlos para receber propina de 5% dos valores das obras contratadas pelo Executivo fluminense com as empreiteiras.

“Os depoimentos foram uníssonos em afirmar que Carlos Miranda era a pessoa a quem Sérgio Cabral confiou a coleta e transporte dos valores de propina exigidos das empreiteiras”, aponta o Ministério Público Federal.

Alberto Quintaes relatou que ‘os pagamentos de propina exigidos pelo governo do Estado referiam-se a todas as obras em curso que estavam sendo executadas pela Andrade Gutierrez, dentre elas a do Maracanã, PAC Favelas e Arco Metropolitano’. O executivo declarou na delação premiada que pagava Carlos Miranda em dinheiro vivo. Segundo o delator, a reunião em que conheceu o ‘homem da mala’ ocorreu ‘no escritório que Sergio Cabral tinha em cima do Restaurante Garcia Rodrigues na Avenida Ataulfo de Paiva’

“A maior parte desses pagamentos foram feitos no Rio de Janeiro, na sede da AG, no escritório de Sérgio Cabral no Leblon e no Jardim Botânico; que Carlos Miranda colocava os valores recebidos em mochila”, disse Alberto Quintaes.

Empresas. Carlos Miranda é proprietário da GRALC Consultoria, ‘constituída em 2007, no início do governo Sérgio Cabral’, e tornou-se sócio do ex-governador na SCF Comunicação e Participação durante o mandato do peemedebista no Senado (2003-2006). Ao pedir a prisão de Carlos Miranda, a força-tarefa da Lava Jato, no Paraná, destacou a atuação do ‘homem da mala’.

“É de se ver que Carlos Miranda teve sua carreira desenvolvida em sua íntegra como funcionário público comissionado, por indicação política do amigo Sérgio Cabral”, afirmam os procuradores. “Após a posse do político como governador do Estado do Rio de Janeiro, abriu a GRALC Consultoria, empresa que tem como objeto social um vasto espectro de atividade como prestação de serviços de consultoria assessoria elaboração de projetos nas áreas de economia, finanças, gestão empresarial, treinamento, recursos humanos, suprimentos, organizações e métodos, marketing, promoção e organização de eventos podendo adquirir cotas e participações em outras sociedades.”

Para os investigadores, ‘o sucesso no empreendimento chama a atenção’. Quebra de sigilo bancário da Receita, sobre a GRALC, apontou que a empresa tinha um único empregado e passou a ‘receber imediatamente após seu registro na Junta Comercial pagamentos por consultoria na razão de milhares de reais por mês e finda seu faturamento junto à renúncia de Sérgio Cabral do cargo de governador do Estado do Rio de Janeiro’.

“Causa espécie, ainda, o fato de que grande parte do faturamento da principal empresa foi proveniente de um mesmo grupo econômico/familiar composto das seguintes empresas do ramo de concessionárias de veículos”, diz a força-tarefa.

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