O futuro é sem fumaça

O futuro é sem fumaça

Fernando Vieira*

26 de dezembro de 2019 | 05h00

Fernando Vieira. Foto: Philip Morris Brasil/Divulgação

Fumar faz mal à saúde e todos sabem disso. Só que essa situação não impedirá que 20 milhões de brasileiros (1 bilhão de pessoas no mundo) ainda continuem a consumir produtos derivados do tabaco até 2025¹.

Para essas milhões de pessoas acostumadas ao julgamento, às vezes repelidas por outros e cerceadas em alguns hábitos sociais, como iniciar e manter relacionamentos, por exemplo, não é suficiente apenas dizer que elas têm que parar de fumar.

Parar é sempre a melhor opção, mas, ainda assim, milhões continuam fumando. Embora as campanhas voltadas à cessação do consumo do cigarro sejam de extrema importância e devam continuar, a realidade impõe uma nova e complementar abordagem ao assunto: se faz urgente o debate sobre alternativas de risco reduzido para os adultos que, de outra forma, continuariam a consumir cigarros.

É nesse contexto que se insere a tecnologia do tabaco aquecido. Especialistas são categóricos ao afirmar que a maior parte dos danos associados ao tabagismo é causada principalmente pela combustão. Isso ocorre porque muitos dos componentes químicos nocivos presentes na fumaça do cigarro são formados quando o tabaco é queimado. Assim, se removermos a combustão desse processo, reduzimos de forma significativa a formação desses componentes tóxicos.

É principalmente nesta tecnologia que a Philip Morris está se debruçando. Seu funcionamento envolve a utilização de um equipamento eletrônico para aquecer, a uma temperatura controlada, um tubo de tabaco. Para quem não é familiarizado com o tema, os cigarros queimam a uma temperatura acima dos 600 ºC. Já o tabaco aquecido opera numa temperatura máxima de 350 ºC. Isso reduz a formação de substâncias nocivas em cerca de 90 a 95%.

A decisão da empresa em investir nesta tecnologia não é de hoje: desde 2008 trabalha-se com recursos voltados à pesquisa e desenvolvimento de produtos sem fumaça, os quais, embora não livres de risco, são alternativas ao cigarro tradicional alinhadas a uma política de redução de danos. Trata-se, na verdade, de uma transformação sem precedentes no setor. Ao todo são mais de 400 cientistas, que já publicaram mais de 700 estudos, em um investimento na ordem de 6 bilhões de dólares.

Atualmente, a empresa tem mais de 2.900 patentes concedidas e mais de 4.600 pedidos de registro pendentes ao redor do mundo relacionados a esta tecnologia. Além disso, em aproximadamente 50 países, incluindo os Estados Unidos e quase a totalidade da Europa, os adultos fumantes já podem ter acesso aos produtos de risco reduzido, como o tabaco aquecido.

São números importantes, que corroboram com um objetivo bastante ousado: fazer com que todos os adultos fumantes que, de outra forma, continuariam a fumar cigarros, migrem para opções sem fumaça, ao menor prazo possível. Para isso, a empresa incentiva o debate público, com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre o assunto e permitir às pessoas uma tomada de posição a respeito.

No Brasil, no entanto, estamos em uma fase anterior a esse processo, ainda que a empresa tenha atuado de forma responsável para encontrar soluções que minimizem os efeitos desse hábito de consumo. No país, o adulto fumante não tem acesso a informações sobre essas opções e não pode exercer seu direito de escolha.

A proibição local para a comercialização de opções sem fumaça alternativas ao cigarro, como é o caso do tabaco aquecido, não é a solução para atacar o problema do tabagismo. Para se ter uma ideia, apesar da proibição muitos dispositivos eletrônicos para fumar já são comercializados de forma ilegal no Brasil, sem a devida informação ao usuário e sem qualquer controle sanitário.

O caminho a ser seguido passa pela manutenção de políticas voltadas à cessação do uso do cigarro. Afinal, fumar faz mal à saúde e parar é sempre melhor. Contudo, para aqueles que continuarão fumando, é preciso caminhar na direção da redução de danos. A discussão sobre e regulação das alternativas sem fumaça não só respeita o direito à informação e de escolha do adulto fumante, como está alinhada a tais políticas.

Nesse contexto, o que a Philip Morris não tem feito é se omitir da discussão e do amplo debate necessário com a sociedade a respeito da regulação de tais opções. Por isso, lançou uma campanha institucional que tem por objetivo promover o debate sobre a regulação dessas tecnologias no Brasil e tirar a cortina de fumaça sobre o tema.

Falar sobre a regulação de alternativas ao cigarro para o adulto fumante não pode mais ser tratado como um tabu ou assunto proibido. Seguimos defendendo que PRECISAMOS FALAR. Os consumidores têm o direito à informação.

¹Organização Mundial da Saúde.

*Fernando Vieira, diretor de Assuntos Externos da Philip Morris Brasil

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