O futuro do varejo é digital

O futuro do varejo é digital

Carlos Garcia*

02 de novembro de 2021 | 05h15

Carlos Garcia. FOTO: DIVULGAÇÃO

A pandemia da Covid-19 provocou mudanças, trouxe novas tendências e impulsionou transformações tecnológicas em diversos setores, em especial, no varejo. As medidas de isolamento social provocaram uma mudança no comportamento dos consumidores, que passaram a adotar fortemente os canais de e-commerce – 7,3 milhões de brasileiros compraram on-line pela primeira vez entre janeiro e junho de 2020 – e os varejistas tiveram que se adaptar rapidamente para atender as demandas dos clientes e oferecer uma melhor experiência de consumo.

Segundo um levantamento da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico, em parceria com a Neotrust, o e-commerce registrou um crescimento de 68% nas vendas durante 2020 (na comparação com o ano anterior), aumentando a participação do setor no faturamento total do varejo. Outro dado que chama atenção é o de investimento na transformação digital, que aumentou 87% em 2021, de acordo com dados da pesquisa Transformação Digital no Varejo Brasileiro, da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo.

Outra tendência consolidada pela pandemia foi o consumo consciente: as pessoas querem comprar menos e melhor, além de buscarem marcas que atuem de acordo com seus valores e demonstrem atitudes éticas e sustentáveis. Além disso, o bem-estar passou a ser visto como uma necessidade. Os consumidores estão mais atentos à saúde e buscam comprar de marcas confiáveis que alinham a tecnologia aos seus produtos para proporcionar um dia a dia mais prático.

Nesse novo contexto, ganham destaque as Digitally Native Vertical Brands (DNVBs), companhias que nasceram no meio digital e que se relacionam diretamente com o consumidor final, controlando seu produto desde a fábrica até a casa do cliente. Esse modelo de negócio é 100% focado na experiência do consumidor e em construir uma conexão mais profunda com os clientes da marca. Os nascidos na era digital, como os Millennials e a Geração Z, são os principais públicos das DNVBs.

O foco em experiências boas e memoráveis – um dos grandes diferenciais das DNVBs – tem feito toda a diferença para o sucesso das marcas.  Cada vez mais, a experiência tem sido um fator decisivo para a tomada de decisão de compra: dados da NeoAssist, plataforma especializada no atendimento ao cliente, revelam que 87% dos consumidores deixam de comprar em função de uma experiência negativa com o atendimento. Com isso, as marcas nativas digitais saem na frente das companhias que ainda estão se adaptando ao e-commerce e que têm um serviço de atendimento ao cliente atrelado aos conceitos tradicionais do varejo.

Muito populares em países como os Estados Unidos e na Europa, as DNVBs ainda são novidade em terras brasileiras, mas o cenário é promissor. Além do e-commerce aquecido, o Brasil é o segundo país em tempo gasto nas redes sociais, segundo a GlobalWebIndex, e um dos cincos países com maior número de celulares do mundo, de acordo com um levantamento feito pela consultoria Newzoo.

Entre as diversas transformações impulsionadas pela pandemia da Covid-19, é possível dizer que o crescimento das vendas on-line não é uma tendência temporária. Esse movimento sinaliza um comportamento que veio para ficar e pressiona o varejo a se tornar mais digital, focar em uma melhor experiência e um atendimento ao cliente mais conectado, além de se tornar um negócio mais ético e consciente. 

*Carlos Garcia é diretor e cofundador da Emma Brasil

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