O futuro do futebol brasileiro depende de um novo olhar para a gestão dos clubes

O futuro do futebol brasileiro depende de um novo olhar para a gestão dos clubes

Daniel Kalume*

12 de abril de 2019 | 10h00

Daniel Kalume. FOTO: DIVULGAÇÃO

No Brasil, a grande maioria dos clubes de futebol são associações esportivas sem fins lucrativos e se sustenta com patrocínios – hoje escassos devido à recessão – direitos de transmissão de imagem que vêm diminuindo a cada ano, transferência de atletas e os respectivos programas de torcedores. No entanto, esses recursos não têm sido suficientes para arcar com todas as despesas e muitos times estão endividados. A solução para essa problemática seria transformar esses clubes em empresas.

A alteração permitiria uma gestão mais profissional, forte e qualitativa, preparada para a adoção de estratégias diferenciadas. Mais favorável para receber investimentos e, o mais importante, obter resultados efetivos.

Na Europa, a fórmula adotada por muitos clubes se direcionou à formatação de empresa e, por isso, a gestão do futebol europeu está à frente dos clubes brasileiros. O pensamento empresarial permitiu que os clubes europeus reorganizassem a maneira como oferecem o seu produto, que é o entretenimento.

Assim como em qualquer negócio, as ideias para tornar o produto mais atrativo e ampliar o mercado foram basilares para os resultados expressivos que são percebidos hoje na Europa. Se os clubes brasileiros fossem transformados em empresas, seria possível alcançar os mesmos resultados ou até melhores com a implementação de estratégias de governança.

Quando os clubes são transformados em empresas, a responsabilidade é dividida entre todos os seus acionistas. Já no modelo de associação sem fins lucrativos, adotado pelos clubes brasileiros, a responsabilidade está concentrada nas mãos de apenas uma pessoa – o presidente do clube.

No Brasil, já existem instituições esportivas que constituíram empresa e tentam se aproximar da figura do clube-empresa. A mudança trouxe benefícios em alguns desses casos, mas não trouxe todos os almejados, em especial por não existir um modelo legal específico e próprio para sociedades empresárias desportivas, além da carga tributária, que é maior e diminui os resultados financeiros.

Mas existe a solução adequada e ela passa pela aprovação de um projeto de lei em tramitação no Congresso Nacional (PL 5082/2016), de autoria do deputado federal Otávio Leite, que moderniza o futebol brasileiro ao propor a criação da Sociedade Anônima do Futebol – SAF.

A expectativa é que com essa mudança os clubes de futebol terão um modelo de empresa próprio, com estruturas mais estáveis e organizadas no ponto de vista de governança e compliance, trazendo uma gestão eficiente para o esporte e, consequentemente, investimentos de peso para o futebol brasileiro.

*Daniel Kalume é sócio do Mota Kalume Advogados e vice-presidente de Interesses Legais do Fluminense Football Club

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