O futuro do Brasil: mais conectividade e educação 

O futuro do Brasil: mais conectividade e educação 

Vitor Magnani*

17 de abril de 2020 | 08h00

Vitor Magnani. FOTO: DIVULGAÇÃO

Enquanto os números relativos ao acesso à rede de esgoto no Brasil permaneceram praticamente os mesmos em 2018, representando 35,7% da população total com esse atendimento (74,156 milhões de brasileiros) segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os números que mostram a quantidade de novos usuários da internet não paravam de crescer. De acordo com a pesquisa TIC Domicílios, uma das principais e mais recentes do país, naquele mesmo ano mais de 70% da população já usava a internet regularmente.

Dados que isolados parecem se relacionar pouco entre si, mas que juntos são capazes de dizer muito sobre o futuro do país. Porque se naquela época uma parte bastante significativa da população não tinha acesso nem ao menos à rede de esgoto, mas já estava conectada à internet, imagina só o impacto que essa conectividade tem agora, dois anos após a criação desses levantamentos e diante da maior crise sanitária deste século.

Atualmente, a tecnologia está servindo como uma ferramenta de trabalho e entretenimento, mas nos últimos meses – diante da recomendação da OMS (Organização Mundial da Saúde) para ficarmos em casa – adquiriu uma importância ainda maior para a sociedade. Pelo fato que nesse combate contra a pandemia, os aplicativos e as redes de drive thru ganharam ainda mais relevância, servindo como verdadeiros aliados no combate ao novo coronavírus e peças-chave na movimentação da economia brasileira.

Porque quase tudo está dependendo dos nossos cliques para acontecer. O que seria de nós sem um aplicativo para pagar as nossas contas ou receber os auxílios financeiros do governo? Ou dos marketplaces de restaurantes, supermercados, farmácias e de todo comércio eletrônico para manter pequenos e grandes comerciantes funcionando no Brasil?

De acordo com os números revelados à imprensa recentemente, a startup colombiana Rappi serve como um ótimo exemplo disso. Durante essas últimas semanas, a empresa declarou ter aumentado cerca de 30% o número de pedidos na plataforma e pelos menos 28% vem da categoria farmácia, que sozinha tem gerado números expressivos de receita.

E empresas como Loggi, plataforma que realiza entregas expressas para restaurantes, escritórios e e-commerces, que também alcançou picos expressivos no uso dos seus serviços para as lojas online nas últimas semanas, tanto quanto os números que ela apresentou durante a Black Friday do ano passado. Fazendo entregas de produtos variados para pessoas isoladas em razão da pandemia, que vão desde peças de vestuário até itens de higiene e saúde.

Sendo assim, não é de hoje que o Brasil vem crescendo massivamente com a internet, apresentando uma quantidade de usuários cada vez mais conectados às redes e mais antenados às plataformas digitais; e essa tendência veio para ficar, principalmente agora nesses tempos de pandemia. E saber reconhecer a importância que essas ferramentas virtuais têm para a sociedade hoje em dia é fundamental para o Brasil.

Não adianta ter ótimas plataformas digitais se os negócios não conseguirem se digitalizar. Também não servirá toda essa conectividade se as pessoas não fizerem bom uso dessas ferramentas. É necessária a colaboração entre os mais diversos atores para criar um ambiente sustentável para todos.

O grande desafio, neste momento, é promover a educação para uma sociedade cada vez mais conectada em um curto espaço de tempo. Tarefa que envolve o uso de tecnologias, mudanças operacionais e comportamentais. Seja para desenvolver a economia, ou para validar as notícias que aparecem na tela do celular. A agenda de ações públicas e privadas deve passar pela educação das pessoas para um ambiente mais tecnológico, mas também ético, sustentável e respeitoso com as diversidades de pensamentos.

*Vitor Magnani é presidente da Associação Brasileira Online to Offline e do Conselho de Comércio Eletrônico da FecomercioSP

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