O futuro da competitividade brasileira

O futuro da competitividade brasileira

Leila Rocha Pellegrino*

12 Janeiro 2019 | 05h00

Leila Rocha Pellegrino. FOTO: DIVULGAÇÃO

A chegada de um novo ano comumente vem acompanhada do desejo de melhorias em diversos aspectos de vida e de muitas promessas de mudança. Muitas dessas promessas se esvaziam ao longo do ano, voltando a se repetir no período seguinte. Para os brasileiros, o novo ano se iniciou em meio a expectativas acerca do novo governo, executivo e legislativo.

Depois de um longo período de instabilidade política e de retração da atividade econômica, certo otimismo paira sobre o ambiente econômico e a lua de mel entre o mercado e o governo sinaliza uma possível aceleração da recuperação econômica. Porém, para além do otimismo momentâneo, cabem algumas questões: que ações estão sendo tomadas para a superação dos entraves à competitividade e ao desenvolvimento do país? Quais as preocupações do atual governo com a inserção do país na chamada 4.ª Revolução Industrial?

A última edição do Global Competitiveness Report, publicada pelo World Economic Forum em outubro de 2018, trouxe importantes atualizações no índice de competitividade global de modo a melhor refletir as condições competitivas dos países ante a 4.ª Revolução Industrial.

De acordo com a publicação, o Brasil ocupa a 72.ª posição num ranking de competitividade que contempla 140 países, com piora de três posições em relação ao ano anterior. Embora sejam muitos os entraves à competitividade brasileira, destaco aqui alguns dos vilões de nosso fraco desempenho sinalizados na publicação: gasto público descontrolado; educação precária e acrítica e, consequentemente, baixa qualificação da mão de obra; falta de visão para o futuro do poder público; estrutura tributária deficiente; e precariedade do ambiente de negócios no país. Nenhum desses problemas é novo, mas sua persistência tem comprometido recorrentemente o desempenho competitivo e o desenvolvimento brasileiros.

Em meio a inúmeras demandas nacionais, o leitor poderia questionar por que devemos dar tanta importância ao desempenho competitivo do país? Para responder a essa questão, é preciso ampliar o campo de visão para além de nosso umbigo e observar as transformações no ordenamento global. A sociedade global vive um momento de grande transformação com o advento da chamada 4.ª Revolução Industrial.

Nesse contexto, a velocidade das transformações e do ritmo das inovações tem como grande desafio a integração dos avanços tecnológicos às demandas da sociedade global e do ambiente produtivo. Indo mais fundo, qualquer perspectiva de um desempenho econômico positivo e duradouro que seja capaz de produzir aumento dos níveis de renda e emprego, bem como que possa contribuir para o aumento do bem-estar, depende da conformação de uma economia nacional mais competitiva. Ironicamente, nossas perspectivas futuras dependem do país ser capaz de fazer as pazes com seu passado, enfrentando problemas dos quais, até o presente, se esquivou.

O momento é oportuno para refletirmos sobre nossa posição na nova ordem econômica internacional. Para sairmos do campo das promessas para o campo das resoluções para um futuro melhor serão necessárias força e vontade políticas, além de um olhar ampliado e atento para as transformações econômicas em curso.

*Leila Rocha Pellegrino é coordenadora e professora de administração na Universidade Presbiteriana Mackenzie Campinas. Doutora em desenvolvimento econômico pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, mestre em Desenvolvimento Econômico pela Universidade Estadual de Campinas e graduada em Ciências Econômicas na Universidade Estadual de Campinas

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