O fortalecimento da cultura de seguros no Brasil no cenário pós-pandemia

O fortalecimento da cultura de seguros no Brasil no cenário pós-pandemia

João Géo Neto*

18 de agosto de 2020 | 05h30

João Géo Neto. FOTO: DIVULGAÇÃO

As consequências que a pandemia do novo coronavírus deixará para o Brasil ainda são imensuráveis. Não se sabe, ao certo, quando a economia voltará a dar sinais de recuperação. O que parece ser senso comum entre especialistas da área é que os impactos variarão muito de empresa para empresa e, principalmente, de setor para setor.

O mercado segurador brasileiro, que oferece uma gama variada e completa de produtos e subprodutos para atender a uma demanda que já vinha apresentando, nos últimos anos, crescimento sustentável, está entre os setores que tendem a se fortalecer com a crise, tornando-se mais maduro no cenário pós-pandemia. E a explicação é simples: em um momento de total instabilidade econômica e incertezas com relação ao futuro, como o que estamos vivendo, os brasileiros parecem estar percebendo, com mais clareza, a importância do seguro para mitigar riscos e prevenir perdas. Há, no mercado nacional, um movimento irreversível que aponta para um fortalecimento da cultura de seguros, já consolidada em países mais avançados, onde a recorrência de catástrofes naturais, entre outros fatores, contribui para o aumento da demanda.

Diante do inevitável crescimento na procura por determinados produtos, a tendência é que as seguradoras apostem, cada vez mais, em tecnologia e inovação para não perderem espaço no mercado. A digitalização dos processos, de modo a proporcionar agilidade e desburocratização na contratação, está entre esses avanços que, embora já estivessem nos planos das grandes seguradoras antes da pandemia, ganharam força e foram acelerados.

Um seguro que, para nós, tem mostrado forte tendência de crescimento, e acredito que seja um movimento comum também a outras seguradoras, é o fiança locatícia. Esta modalidade de seguro substitui outras garantias para locação de imóvel e protege o proprietário em caso de não pagamento de aluguel e/ou encargos por parte do inquilino. Em meio a uma crise econômica sem precedentes, o seguro fiança locatícia representa tudo o que o locador busca, como segurança, estabilidade e tranquilidade no recebimento dos proventos. A demanda pelo Seguro Garantia Judicial Depósito Recursal também apresentou crescimento exponencial durante a pandemia, já que viabiliza, às empresas, a possibilidade de recuperação dos recursos dos depósitos judiciais. Em tempos tão adversos, esta modalidade de seguro oferece um fôlego fundamental para a sustentabilidade dos negócios.

Mas, se por um lado alguns produtos são positivamente impactados com o aumento na demanda, outros deixarão de ser prioridade. Após a pandemia o mercado será outro, assim como o comportamento dos consumidores. O setor tende a se tornar mais forte com as exigências dos novos clientes, mas cabem às seguradoras se adaptarem a este cenário. Investir em valores que, com a crise se tornaram inerentes ao sucesso de qualquer negócio, como experiência do cliente e inovação, parece ser o melhor e mais inteligente caminho.

*João Géo Neto é CEO da Pottencial Seguradora

Tudo o que sabemos sobre:

Artigo

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: