O fim do mundo como o conhecemos (e eu me sinto bem)

O fim do mundo como o conhecemos (e eu me sinto bem)

Cassio Grinberg*

06 de setembro de 2020 | 12h35

Cassio Grinberg. FOTO: DIVULGAÇÃO

A música It’s the end of the world as we know it (and I feel fine), da banda norte-americana REM, com sua letra ferina e ritmo rápido, faz uma série de provocações muito bem-vindas para o momento de mundo em que estamos vivendo.

“Isso é ótimo, começa com um terremoto”, iniciam os versos que nos fazem refletir sobre o efeito de uma mudança repentina e o quanto uma alteração de cenário pode ser drástica quando não previmos a incerteza como uma das variáveis de nossa análise.

“Olho do furacão, ouça-se agitar”, convida por outro lado a banda quando quer nos lembrar que, tanto no plano pessoal quanto no empresarial, existe um movimento fundamental: sair do lugar, buscar (mas não receber) alternativas (voltaremos a isso), e prestar atenção em como a perspectiva muda quando nós mesmos deixamos a posição de vítimas.

E então a música nos surpreende com um verso sábio: “Acelere um pouco, coloque velocidade, e não força”. O que nos lembra dos conceitos de Nassim Taleb que, no livro ‘Antifrágil — coisas que se beneficiam com o caos’, nos mostra que o contrário do frágil não é o robusto, nem o forte, e muito menos o resiliente: o exato oposto do frágil é a figura do antifrágil, aquele que se fortalece com a desordem (enquanto os demais se prejudicam) justamente porque a anti-fragilidade somente pode ser obtida através da leveza do movimento: de um estar líquido, desamarrado de convicções, de camadas e de níveis. Washington Olivetto recentemente previu que veremos, no setor de serviços, uma tendência cada vez maior de os clientes desejarem conversar com quem ‘tem a ideia’ (ele referia-se à propaganda): sem filtros, tamanhos readequados: uma lipoaspiração e uma reaprendizagem de processos.

Ofereça-me soluções, ofereça-me alternativas, e eu recusarei — conclui de forma instigante a música, sugerindo que, ao contrário de desejar soluções prontas, deveríamos começar a pensar em querer novos problemas: uma empresa sintoniza o foco quando se conecta com o verdadeiro problema que seu cliente está vivenciando, e na medida que perceberemos que o fim do mundo como o conhecemos é um favor que a incerteza nos faz, também como a música, nos sentiremos bem.

*Cassio Grinberg, sócio da Grinberg Consulting e autor do livro Desaprenda – como se abrir para o novo pode nos levar mais longe

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