O fator diversidade nas empresas

O fator diversidade nas empresas

Jorge Barros*

04 de julho de 2020 | 03h00

Jorge Barros. FOTO: DIVULGAÇÃO

Recentemente foi divulgada a 1ª edição do ranking sobre as melhores empresas com práticas de diversidade e inclusão. O ranking LGBTQI+ é resultado de um estudo realizado pela GPTW, consultoria global referência na certificação de boas práticas das empresas em diversos quesitos.

Foi com alegria que tive acesso a este documento em que 10 empresas, das 93 inscritas para serem avaliadas, foram premiadas e reconhecidas com a certificação LGBTQI+. O estudo traz os protocolos e melhores práticas das 10 empresas contempladas, contando, em formato de cases rápidos, aspectos que se destacam dentro das políticas das empresas.

Um marco importante para entendermos onde estamos; e para onde caminhamos.

Esse artigo poderia falar sobre os ganhos que a diversidade e a inclusão trazem às empresas que colocam a prática como balizadora no conjunto de valores e propósitos; e como protocolos e políticas bem definidas refletem nas organizações em médio e longo prazos. Mas eu gostaria de dar um passo além, e convidar você leitor a refletir sobre como e quando protocolos e políticas deixam de ser mera formalidade para se tornarem legítimos.

Tão importante quanto políticas de diversidade e inclusão são as verdades que esses protocolos trazem e transmitem aos colaboradores. Somente códigos de conduta não transformam pessoas e pensamentos, e podem, inclusive, gerar ainda mais polarização.

A diversidade não está apenas no número de pessoas pretas, pardas, LGBTQI+, gênero ou pessoas com deficiência que trabalham em uma empresa, ela também está aí. Mas ela está além, em coisas nem sempre fáceis de mensurar, como no convívio, nas opiniões divergentes, mas respeitosas e nos ganhos pessoais que essas experiências nos trazem.

Mais do que uma série de regras, a diversidade e a inclusão devem permear as relações entre as pessoas de todos os níveis da organização. Há muitos caminhos para trabalhar na predisposição das pessoas a olharem e se reconhecerem dentro desse processo de enxergar a si e ao outro, reconhecer as diferenças existentes, aceitá-las, valorizá-las e respeitá-las. A arte é um deles.

Pela arte conseguimos acessar pontos, nas pessoas, como sentimentos, emoções, percepções e, com isso, gerar autorreflexão sobre o quão diversos e inclusivos somos, seja como indivíduo ou organização, envolver àqueles que estão pouco sensíveis ao tema, ou ainda, pouco conhecimento tem sobre a questão; unir experiências e transformar protocolos em sentimentos, verdades em ações e trazer senso de pertencimento e representatividade àqueles que estão ou se sentem à margem.

Construir ambientes favoráveis para que as pessoas estejam e se sintam inseridas no ambiente corporativo, de forma genuína, requer um olhar atento ao que nos circunda, o que nos coloca frente ao desafio de desenvolver e fortalecer as relações e os vínculos para promover diálogos expansivos.

 

As diferenças nos tornam plurais, e o respeito nos torna humanos melhores, conscientes do papel que desempenhamos em nossas vidas. É um caminho complexo de ressignificação, mas somente com ganhos para empresas, indivíduos e para o coletivo. Espero que o ranking seja o primeiro de muitos, e que cada vez mais, a diversidade e a inclusão sejam legítimas na cultura das empresas que se propõem a humanizar essas relações.

*Jorge Barros é sócio-diretor da consultoria Fator Diversidade

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