‘O estilingue funciona para quem está na vitrine’, diz Marco Aurélio sobre Moro hackeado

‘O estilingue funciona para quem está na vitrine’, diz Marco Aurélio sobre Moro hackeado

Para ministro do Supremo, Bolsonaro colocou ministro da Justiça em uma sabatina permanente. 'Coitado do Moro'

Rafael Moraes Moura / BRASÍLIA

11 de junho de 2019 | 11h13

O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo. Foto: Dida Sampaio / Estadão

O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse nesta terça-feira, 11, que o “estilingue funciona para quem está na vitrine”, ao comentar a situação do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro. Para Marco Aurélio, Moro ficará “sendo acuado todo esse tempo” até abrir uma vaga no STF, em novembro de 2020, com a aposentadoria compulsória do ministro Celso de Mello.

O presidente Jair Bolsonaro já informou que pretende nomear Moro para uma das vagas do Supremo.

“Coitado do juiz Moro. O presidente (Jair Bolsonaro) o colocou numa sabatina permanente quando anunciou que houvera um acordo para ele deixar uma cadeira efetiva (de juiz federal), abandonando 22 anos de magistratura, para vir pra Esplanada e ser auxiliar dele presidente da República, colocando-o na vitrine”, comentou o ministro Marco Aurélio Mello, ao chegar para a sessão da Primeira Turma nesta terça-feira.

“E aí quem está na vitrine, o estilingue funciona”, completou o ministro.

O comentário de Marco Aurélio foi feito depois de o site The Intercept Brasil publicar o conteúdo vazado de supostas mensagens trocadas por Moro e o coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol. Moro e Deltan alegam que foram alvo de hacker que agiu ‘sorrateiro’

As conversas supostamente mostrariam que Moro teria orientado investigações da Lava Jato por meio de mensagens trocadas no aplicativo Telegram. O site afirmou que recebeu de fonte anônima o material.

Para Marco Aurélio, a reportagem “fragiliza o perfil” de Moro na caminhada rumo a uma vaga do Supremo.

“Vi com muita tristeza. O juiz dialoga com as partes – e o Ministério Público é parte acusadora no processo – com absoluta publicidade, com absoluta transparência. Se admitiria um diálogo com os advogados da defesa? Não. Também não se pode admitir, por melhor que seja o objetivo, não se pode admitir com o Ministério Público. Em direito, meio justifica o fim; o fim ao meio, não”, disse Marco Aurélio.

“Todos nós somos contra a corrupção, mas não o combate a ferro e fogo. Porque aí é retrocesso em termos de Estado democrático de direito. Se havia combinação de atos, Ministério Público e juiz, aí realmente se tem algo grave”, afirmou o ministro.

Cadeira

Marco Aurélio também fez críticas à decisão de Moro deixar a Justiça Federal do Paraná, largar a magistratura e assumir a cadeira de ministro de Estado.

“Não compreendo que alguém possa virar as costas a uma cadeira de juiz. E ele virou sem ser de uma família rica. Se ele fosse de uma família rica, e pudesse até partir para o ócio com dignidade, muito bem. Como é que se deixa um cargo efetivo dessa forma? Menosprezo à magistratura? Se foi, ele não está credenciado para o Supremo”, disse.

O ministro Sérgio Moro ainda não se manifestou sobre os comentários de Marco Aurélio Mello.

Tudo o que sabemos sobre:

Sérgio MoroMarco Aurélio Mello

Tendências: