‘O esquema criminoso perdura ainda no ano de 2021’, afirma ministro do STJ que ordenou buscas da PF contra governador do Amazonas e prisão do secretário de Saúde; leia a decisão

‘O esquema criminoso perdura ainda no ano de 2021’, afirma ministro do STJ que ordenou buscas da PF contra governador do Amazonas e prisão do secretário de Saúde; leia a decisão

Nova fase da Operação Sangria mira indícios de irregularidades no hospital de campanha Nilton Lins, em Manaus

Rayssa Motta, Pepita Ortega e Fausto Macedo

02 de junho de 2021 | 16h00

Ao autorizar novas buscas na casa e no gabinete do governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), na quarta fase da Operação Sangria aberta nesta quarta-feira, 2, o ministro Francisco Falcão, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), apontou indícios de que o suposto esquema de corrupção montado para desviar recursos destinados ao enfrentamento da pandemia no Estado continuou a funcionar mesmo após as etapas ostensivas anteriores da investigação.

“O que é mais impressionante, a atuação criminosa não cessou mesmo após a intensa e frequente atuação dos órgãos de persecução criminal no combate aos delitos praticados durante a pandemia de covid-19, no ano de 2020, na denominada Operação Sangria. O esquema criminosa perdura ainda no ano de 2021, demonstrando a contemporaneidade dos fatos apurados”, escreveu.

Wilson Lima (PSC), governador do Amazonas Foto: Hélvio Romero/Estadão

Além das buscas Manaus (AM) e Porto Alegre (RS), o ministro deu autorização para a prisão temporária do secretário estadual de Saúde, Marcellus Campelo, e de outras cinco pessoas. Falcão viu indícios de violação aos princípios de legalidade, moralidade, publicidade e eficiência.

“Os crimes estão ligados ao exercício funcional, praticados no desempenho dos cargos e com abuso deles, causando enorme prejuízo”, criticou o ministro. “Os fatos descritos se revelam de ainda maior gravidade diante da situação de calamidade pública vivenciada em todos o País e, especialmente, no Estado do Amazonas, decorrente da pandemia de covid-19”, acrescentou.

A nova fase da operação foi aberta depois que o Ministério Público Federal encontrou novos indícios de fraudes e superfaturamento na reinauguração do hospital de campanha Nilton Lins em Manaus no início do ano, quando o sistema de saúde da capital amazonense entrou em colapso diante de uma nova escalada da pandemia, e na prestação de serviços na unidade temporária para tratar pacientes com coronavírus. Entre as irregularidades apontadas pela investigação estão o alegado direcionamento do contrato de aluguel do imóvel onde foi instalado o hospital de campanha e a seleção de empresas registradas em nome de ‘laranjas’ para execução de serviços.

As três fases anteriores foram deflagradas em junho, outubro e novembro do ano passado e miraram supostas fraudes na compra emergencial de R$ 2,9 milhões em respiradores pelo governo do Amazonas. A investigação levou à denúncia, na véspera do início dos trabalhos da CPI da Covid, contra Wilson Lima, o vice-governador, Carlos Almeida (PTB), o secretário chefe da Casa Civil do estado, Flávio Antony Filho, o ex-secretário de Saúde Rodrigo Tobias e outras 14 pessoas (servidores públicos e empresários).

COM A PALAVRA, O GOVERNO DO AMAZONAS

“O Governo do Amazonas informa que é de total interesse do Estado que os fatos relacionados às investigações em curso sejam esclarecidos. O governador Wilson Lima reitera que, desde o início da pandemia de Covid-19, sua gestão está voltada a preservar a saúde do povo do Amazonas e a salvar vidas, tendo determinado aos gestores estaduais que empreguem todos os esforços possíveis com esse objetivo, sempre pautando as ações públicas pelos princípios da legalidade e da transparência.

Desta forma, todos os investimentos feitos pelo Estado no enfrentamento da pandemia têm obedecido os trâmites legais de contratação de bens e serviços, sendo acompanhados de perto inclusive pelos órgãos de controle e também com prestação de contas sobre os gastos rigorosamente detalhados no Portal da Transparência.

O governador Wilson Lima reafirma que se mantém à disposição das autoridades competentes para esclarecimentos sobre as ações de seu governo e reitera que está convicto de que não cometeu qualquer ilegalidade e que confia na Justiça.”

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