O escritório do futuro tem cara de casa

O escritório do futuro tem cara de casa

Gilson Vilela Jr.*

09 de outubro de 2020 | 03h00

Gilson Vilela Jr. FOTO: RODRIGO PORTO

15 dias de quarentena viraram seis meses e não há mais dúvida de que é necessário se adaptar – em todos os sentidos – para sobreviver. Algumas companhias estão voltando ou se preparando para o trabalho no escritório e, por conta das regras de distanciamento social, precisam diminuir a quantidade de colaboradores presentes ao mesmo tempo, pensar em modelos que permitam rotatividade e uma arquitetura que facilite a entrada e circulação de ar. Não é fácil.

Inclusive, grandes companhias já anunciaram que vão abrir mão de grandes andares tradicionais nos centros empresariais mais famosos do Brasil e apostar em escritórios de apoio espalhados por várias regiões. O presente já aponta que uma empresa tem que estar em – literalmente – qualquer lugar. Mas como fazer isso? O que esperar do escritório do futuro? E no novo presente?

As respostas não são simples e o prazo é curto. É preciso testar modelos com rapidez. A JLL, uma das principais consultorias de ambientes corporativos do mundo, realizou uma pesquisa com três mil empresas a nível mundial e pode afirmar que o nome do jogo agora é ‘colaboração’. Os verdadeiros líderes não veem mais a necessidade do funcionário presente para atestar produtividade.

O isolamento social no Brasil forçou companhias extremamente conservadoras a migrar o trabalho para o home office em um piscar de olhos. Passado todo esse tempo, podemos dizer que o “local de trabalho” foi realmente ressignificado. Mesmo quando a pandemia passar, o home office deve se manter como oportunidade de economia financeira e de tempo com deslocamento. Mas o ser humano precisa de interação física. Então como tornar esses espaços seguros para o reencontro – mesmo que ainda esporádico?

Quando olhamos para trás o que vemos são salas fechadas, baias e separações, mesas e cadeiras padronizadas, telefones fixos e computadores, horário definido, “bater cartão” e executar sem questionar. Também já vimos a evolução para os coworkings em avenidas importantes, horário alternativos, flexibilidade. Agora, home office, notebooks leves, espaços físicos abertos e coloridos focados no estímulo à criatividade, escritório de apoio, diversidade… Muitas novidades a cada dia.

E tudo isso não é mero luxo. O conceito interaction workspaces – espaços de interação que comportam experiências que não podem ser replicadas virtualmente -, que já era tendência em empresas inovadoras em todo o mundo, acabou se confirmando com a chegada da pandemia. É necessário que os espaços sejam abertos e que facilitem a circulação, com ventilação e entrada de luz natural.

Parece até a descrição de um pub: terraço para eventos, área externa, sofás estilosos, assentos móveis, espaços dinâmicos e rotativos, café gourmet ou cerveja artesanal. Mas é o ambiente de trabalho do futuro, cujo foco principal é relacionamento e bem-estar dos colaboradores – cerne que nunca deveria se perder só na companhia.

Em maio, quando realizamos uma pesquisa sobre as expectativas para o futuro pós-pandemia com mais de mil pessoas, descobrimos que 72% estavam trabalhando apenas em casa. Com isso, chegamos a uma conclusão simples: mais do que nunca o foco está nas pessoas. Quem descobriu o home office, descobriu um turbilhão de coisas junto. Foco no conforto, gerenciamento do seu próprio tempo, serviços digitais… E para onde quer que esse colaborador vá, ele quer continuar a se sentir assim. Em casa. Lembre-se: negócios feitos por pessoas, para pessoas, permanecem reais.

*Gilson Vilela Jr. é sócio-fundador da ioasys

Tudo o que sabemos sobre:

Artigo

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: