O equilíbrio entre a vida pessoal e profissional em finanças

O equilíbrio entre a vida pessoal e profissional em finanças

Felipe Brunieri e Guilherme Malfi*

22 de julho de 2021 | 04h00

Guilherme Malfi e Felipe Brunieri. FOTO: DIVULGAÇÃO

Com o aumento dos debates a respeito de saúde mental, a expressão work-life balance – podendo ser definida como o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal – tem se tornado uma questão cada vez mais relevante e discutida dentro das empresas, uma vez que, a fim de estabelecer tal equilíbrio, são necessárias tanto ações das companhias, quanto atitudes individuais do profissional. Contudo, no que tange à área de Finanças, o alcance do work-life balance por parte de seus Executivos torna-se ainda mais desafiador, tendo em vista os prazos curtos e quase inegociáveis que a rotina financeira exige.

A área de Finanças, por sua natureza, possui uma visão holística da companhia e relaciona-se praticamente com todas as demais áreas (Vendas, Marketing, Operações, Legal, TI, RH, dentre outras) de forma corriqueira. Elas acionam o departamento financeiro constantemente para que dê suporte às decisões mais estratégicas e relevantes a serem tomadas – desenvolvendo estudos de viabilidade, modelagens complexas e Business Plans -, auxilie na preparação de relatórios internos e externos com os principais indicadores de performance e conduza projetos de redução de custos, de reestruturação de processos e controles internos e de iniciativas para melhoria da rentabilidade. Essa alta demanda ocasionada pelas demais áreas, atrelada às rotinas de fechamento mensal, orçamento anual e forecasts periódicos – muitas vezes sem o auxílio de ferramentas de tecnologia – dificultam a otimização de equilíbrio entre carreira e vida pessoal.

A fim de reverter essa situação e conseguir implementar o work-life balance no dia a dia do profissional da área, é necessário reconhecer que tal equilíbrio é um processo contínuo que requer não somente organização e reestruturação na agenda e no método de trabalho, mas principalmente disciplina, resiliência, e autoconhecimento por parte do Executivo financeiro, que precisa ter consciência de seu estado emocional para determinar as diretrizes e prioridades no trabalho e na vida pessoal. “Seja resiliente e bem-organizado na vida para conseguir ser feroz e original no trabalho”, como dizia Gustave Flaubert, escritor francês do século XIX.

Dentro desse contexto, após o esclarecimento das suas prioridades emocionais e de carreira, o profissional de Finanças deve procurar organizar sua rotina na empresa, bloqueando espaços na agenda para o planejamento da semana, negociando prazos, respeitando os horários de almoço – essenciais para o descanso mental – e, principalmente, estipulando limites e sabendo dizer “não” quando necessário. Com isso, será possível se dedicar mais às demandas e cumpri-las dentro do tempo estabelecido, gerenciando as próprias expectativas e as dos stakeholders. Também, é crucial reservar momentos para a realização de atividades físicas, estar junto à família e buscar, nos períodos de descanso e especialmente à noite, utilizar menos o celular, o que ajuda a diminuir a ansiedade e, consequentemente, a dormir melhor.

No entanto, se a organização na qual o Executivo de Finanças trabalha não for capaz de lhe oferecer o suporte necessário para atingir esse equilíbrio, o work-life balance continuará sendo de difícil alcance. Um ambiente corporativo exaustivo impulsiona o nível de estresse do Executivo mesmo quando ele não está trabalhando, podendo resultar em burnouts. Assim, é essencial que as empresas se preocupem com a saúde mental do profissional, de forma a criar canais de comunicação, investir em programas de bem-estar e promover modelos de trabalho mais flexíveis, que otimizem o tempo do colaborador e o estimulem no trabalho. Em adição a isso, uma peça fundamental para o plano de ação da companhia ser bem-sucedido é o líder de Finanças, que, por exercer um papel de protagonista na área, deve buscar constantemente um work-life balance sustentável em sua própria rotina a fim de estimular seus colaboradores a fazerem o mesmo.

Hábitos saudáveis e o estabelecimento de prioridades na carreira e vida pessoal, atrelados a investimentos por parte das empresas em criar ambientes de trabalho estimulantes e preocupados com o bem-estar do profissional, irão proporcionar benefícios tanto para os colaboradores, quanto para a organização. Nesse sentido, os Executivos financeiros irão apresentar melhor produtividade, menor absentismo e maior engajamento com os objetivos da companhia, culminando em análises mais profundas, números mais assertivos e mais iniciativas de inovação. Percebe-se, ainda, que companhias que incentivam o work-life balance costumam atrair os melhores profissionais de Finanças, tendo em vista o valor dado, hoje em dia, à flexibilidade e a uma rotina profissional menos estressante.

Dessa forma, a fim de compreender melhor como o Executivo de Finanças pode otimizar o seu work-life balance e qual é o seu papel no apoio às organizações na busca por esse equilíbrio, convidamos alguns profissionais com vasta experiência corporativa para compartilharem suas perspectivas e vivências em relação ao tema.

*Felipe Brunieri e Guilherme Malfi, sócios da Assetz

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