O empoderamento dos pacientes

O empoderamento dos pacientes

José Marcos Szuster*   

14 de dezembro de 2019 | 06h00

José Marcos Szuster. FOTO: DIVULGAÇÃO

Cerca de 147 milhões de brasileiros, contingente equivalente a toda a população da Rússia, dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS) para ter assistência médico-hospitalar. São aproximadamente 70% de nossa população, índice revelado em pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas. Espremidos entre a impossibilidade financeira de recorrem a serviços particulares e a deficiência do setor público, esses habitantes seguem alijados do direito a um atendimento de excelência em área decisiva para a qualidade da vida, inclusive em desacordo com cláusula pétrea da Constituição.

Não é sem razão, portanto, que nosso país ocupa o preocupante 76º lugar na edição deste ano do Índice Global da Bloomberg, que mede o nível de saúde das nações. Na América Latina, estamos atrás do Chile (33º), Uruguai (47º) e Argentina (54º). A campeã é a Espanha. Dentre as causas da conquista do primeiro lugar, estão o acesso à saúde pública de qualidade, a grande quantidade de médicos especializados em atendimento familiar e a redução recente na ocorrência de doenças cardiovasculares e mortes por câncer.

Contrastando com os avanços dos espanhóis, no Brasil, em 10 anos, a quantidade de pessoas diagnosticadas com diabetes, um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, aumentou em mais de 60%, saltando de uma incidência de 5,5% para 8,9% da população. Essas informações do Ministério da Saúde (Vigitel), referentes ao período entre 2006 e 2016, evidenciam, dentre outros fatores, a falta de acesso à medicina preventiva e assistência adequada. Também são alarmantes outros exemplos, como os dados epidemiológicos da dengue, crescimento dos casos de sífilis (160 mil por ano) e mortalidade por doenças cardiovasculares (360 mil óbitos anuais).

É preciso reverter esse quadro, tornando a boa assistência médica mais acessível aos brasileiros. Felizmente, começam aparecer alternativas. Surgem serviços privados com preço mais acessíveis do que os convênios, seguros e atendimento particular convencional, que oferecem consultas com hora marcada a preços acessíveis, remuneram os médicos praticamente à vista e estabelecem parcerias com laboratórios, farmácias e hospitais.

Neste novo cenário, abrem-se, também, espaços para exames de diagnósticos com resultados imediatos e preços extremamente competitivos. É o caso dos equipamentos e tiras capazes de verificar, em minutos, colesterol, perfil lipídico completo, diabetes, dengue, chikungunya e zica, pressão arterial com detecção de fibrilação atrial, agravamento que pode ser letal. Este é um avanço tanto em termos terapêuticos quanto preventivos.

De nossa parte, estamos procurando ir além, levando o atendimento aonde o paciente está. Numa ação inédita, iniciada com experiência bem-sucedida em Três Rios e Teresópolis, no Estado do Rio de Janeiro, realizamos exames diagnósticos de diabetes e colesterol, por meio de testes rápidos e eficientes, e de hipertensão, com equipamento que também identifica o risco de fibrilação atrial, uma das principais causas de acidente vascular cerebral isquêmico.

Tais exames oferecem prevenção contra as principais causas das doenças cardiovasculares, com potencial para reduzir sua incidência e letalidade no País. Começamos essa nova fase de projetos especiais com uma van adaptada e iremos ampliá-los em 2020, com mais nove veículos, cobrindo todo o território fluminense e demais Estados da Região Sudeste, lembrando que o Rio é o Estado com o maior índice de diabetes do Brasil. Por isso, ações preventivas são essenciais. Estamos em contato com diversas instituições dos mais variados segmentos para acelerarmos este processo, promovendo o empoderamento de milhares de pessoas. Desta forma, ampliaremos esse acesso, catalisando apoios, ações e benefícios à população.

É importante desenvolver no Brasil a cultura do point of care, tão difundida nos Estados Unidos e Europa, contribuindo para a autonomia do paciente. Isso significa promover a saúde para mitigar a doença e oferecer a possibilidade de um atendimento de qualidade, auxiliando o setor público e o convidando a participar, ainda mais, desse movimento disruptivo. A sociedade o espera de braços abertos!

*José Marcos Szuster é CEO da MedLevensohn

Tudo o que sabemos sobre:

ArtigoSaúde

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: