O efeito devastador da pós-verdade

O efeito devastador da pós-verdade

Alvaro Dias*

27 de maio de 2020 | 09h15

Senador Álvaro Dias. FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

Pós-verdade, palavra utilizada para definir o contexto global de desinformação, situação na qual aquilo que chega ou, na maioria das vezes, aquilo que alcança, ao público, em grande medida, não é mais do que um simulacro camuflado de verdade. Resumindo, uma mentira.

A História de muitos países, especialmente aqueles que solaparam a verdade, está repleta de exemplos de pós-verdade, com o objetivo de manipular multidões.

A pós-verdade, neologismo que, de acordo com o Dicionário de Oxford, foi usado pela primeira vez em 1992, floresce explorando a característica que faz as pessoas responderem mais a sentimentos e crenças do que a fatos objetivos ou reais, ou seja, fatos são menos influentes na formação da opinião pública do que apelos emocionais.

É uma prática que pretende (e às vezes é exitosa) substituir a comunicação da verdade dos fatos pela comunicação da “verdade” captada ou pretendida, mesmo que fantasiosa.

Com o aumento da desconfiança da população na mídia tradicional, por culpa de parcela da própria mídia e pela ação inescrupulosa de grupos ou pessoas que querem auferir vantagens com isso, o uso cada vez maior das mídias sociais como fonte de notícias , potencializou e popularizou o conceito de linguagem que caracteriza a pós-verdade, que vem sendo utilizada à exaustão no campo da política e como expressão de grupos extremistas.

É uma prática perigosa para a sociedade e seus resultados são danosos. Referendar uma comunicação onde fatos objetivos são menos influentes na formação da opinião pública do que os apelos emocionais significa aceitar que suposições e rumores influenciem o curso das coisas, o que acaba, infelizmente, por acontecer.

As redes sociais estão repletas de “verdades” pretendidas ou delirantes que vão se espalhando como incêndios florestais digitais quase na velocidade da luz, alimentados não pela razão mas por conexões ruidosas que se disseminam por grupos de afinidades nas câmaras de ecos da internet.

Seus efeitos são extremamente perigosos não só à sociedade, às pessoas mas à toda a Humanidade.

*Alvaro Dias, senador (Podemos-PR)

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