O dossiê Palocci

O dossiê Palocci

Relatório de 289 páginas da Polícia Federal na Operação Omertà, etapa da Lava Jato, indica os passos, negócios, parcerias e o suposto envolvimento do ex-ministro da Fazenda e Casa Civil em envolvimento em esquema de propinas

Mateus Coutinho, Fausto Macedo, Julia Affonso e Ricardo Brandt

27 Outubro 2016 | 11h51

Antonio Palocci. Foto: Rodolfo Buhrer/Reuters

Antonio Palocci. Foto: Rodolfo Buhrer/Reuters

Um relatório de 289 páginas da Polícia Federal, na Operação Omertà, indica os passos, negócios, parcerias e o suposto envolvimento do ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda e Casa Civil/Governos Lula e Dilma) em envolvimento em esquema de propinas. Palocci foi preso na Omertà, 35ª fase da Lava Jato, em 26 de setembro.

Documento

Investigação da força-tarefa da Lava Jato aponta que, entre 2008 e o final de 2013, foram pagos mais de R$ 128 milhões ao PT e seus agentes, incluindo o ex-ministro.

Antônio Palocci foi ministro da Fazenda entre 1 de janeiro de 2003 a 27 de março de 2006 durante o primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Assumiu o mandato de Deputado Federal em 1 de fevereiro de 2007, licenciando-se, a partir de 1 de janeiro de 2011, para ser ministro Chefe da Casa Civil durante o primeiro mandato da ex-presidente Dilma. Ficou no cargo até 7 de junho de 2011.

Palocci foi o ministro mais poderoso do PT ao lado de José Dirceu – preso desde agosto de 2015 e já condenado na Lava Jato.

COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA JOSÉ ROBERTO BATOCHIO, QUE DEFENDE ANTONIO PALOCCI:

O advogado José Roberto Batochio, que defende o ex-ministro Antonio Palocci, reagiu com indignação às suspeitas lançadas pela Polícia Federal sobre as atividades do ex-ministro e sua empresa Projeto Consultoria.

“É preciso deixar claro de uma vez por todas que esse tipo de prestação de serviços tem caráter pessoal, pelo nome, prestígio e pela capacidade profissional”, disse Batochio, referindo-se ao ex-ministro que ocupou duas Pastas importantes nos governos Lula e Dilma, Fazenda e Casa Civil.

O veterano criminalista faz comparações. “Veja o caso do doutor Ivo Pitangui, o maior cirurgião plástico de todos os tempos. Ele operava sozinho. O doutor Adib Jatene também, o maior cirurgião cardíaco das Américas, operava sozinho, no máximo com um ou dois assistentes. Quer dizer que a remuneração que eles recebiam por seus trabalhos altamente especializados poderia ser considerada incompatível?”
Para Batochio, ‘existe um movimento muito claro’.

“Os investigadores querem fazer uma arbitrariedade e não têm como, aí divulgam falsas notícias ou suspeitas infundadas. Eu quero denunciar isso. Setores da imprensa estão sendo instrumentalizados por esses acusadores que planejam desencadear atos arbitrários e querem ter o apoio da opinião pública que fica impressionada com essas notícias dadas a conta-gotas e com o claro propósito de servir de linha auxiliar da acusação.”

José Roberto Batochio é enfático. “É absolutamente inquestionável que todos esses contratos (da Projeto Consultoria) com empresas privadas que não têm nenhuma relação com o governo foram executados. Por serviços efetivos as empresas pagaram. Tudo dentro da legalidade e da normalidade e oferecida à tributação.”

“Os investigadores estranham que eram poucos funcionários na Projeto? Eu reitero: Ivo Pitangui operava sozinho. Será que os honorários que ele recebeu eram incompatíveis com as atividades porque sua equipe era restrita? Seria acaso admissível questionar esse desempenho que tanto orgulho científico trouxe ao Brasil?”

O criminalista faz uma ironia. “Se assim for esses acusadores deixaram de ser apenas liberticidas, aqueles que matam a liberdade, mas agora também são talentocidas, ou seja, querem matar os talentos.”
“O sucesso foi criminalizado. O talento virou crime. A capacidade colocada sob suspeita, quando bem remunerada”, protesta Batochio.

Na avaliação do advogado, os investigadores da Lava Jato ‘estão criando a ‘República dos Holerites’ em que só é legítimo e fora de suspeita a remuneração que se realiza através deles’.

“Já não fosse suficiente a deformação de haverem transformado nosso País numa imensa delatolândia”, acrescentou, em referência à sucessão de delações premiadas que marcam a Lava Jato.

O criminalista disse, ainda. “Eu quero fazer mais uma denúncia. Chegou ao meu conhecimento que investigadores brasileiros estão autorizando delatores brasileiros a municiarem autoridades americanas que querem cobrar somas bilionárias do Brasil através de ações penais e de indenização contra a Petrobrás e contra o governo brasileiro.”

Segundo ele, ‘quatro ou cinco delatores que estavam com os passaportes apreendidos teriam se deslocado aos Estados Unidos para servir de testemunhas em favor dos americanos contra o Brasil. Isso é uma coisa a ser investigada por quem é brasileiro e tem algum sentimento de patriotismo. Não se admite conspiração contra o nosso Brasil. É algo a ser verificado.”

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