O dilema da Educação

O dilema da Educação

Heverton Peixoto*

29 de outubro de 2020 | 09h52

Heverton Peixoto. FOTO: DIVULGAÇÃO

O maior dilema vivido hoje no mundo dito democrático é a respeito da educação. Como garantir acesso à educação de qualidade? Existe um consenso de que só com educação, de qualidade e para todos, é que vamos mudar de fato as sociedades e garantir um mundo menos desigual e mais plural, com oportunidades para todos os habitantes do planeta.

E por que uma política educacional irrestrita e ampla não é atingida pelos pressupostos liberais? Afinal, a neutralidade do Estado não cabe, nem nos preceitos mais liberais, sobre educação. Esta deveria ser garantida pelo Estado. Talvez o erro esteja aí. O Estado não tem que ser o único responsável por isso. Um país só muda com um pacto social. E as empresas precisam estar na linha de frente desse processo.

Não existe outro caminho possível. Só reduziremos a brutal desigualdade social pela democratização da educação e pela igualdade de oportunidades. Muito tem se falado sobre programas de diversidade, programas de traine ou recrutamento diferenciado entre as maiores empresas do Brasil. Isso pode ser um engano travestido de políticas exitosas. Não que as ações afirmativas não sejam importantes para um país tão complexo como o Brasil, mas, hoje, tudo que se apresenta, tem cheiro de medidas paliativas. Nenhuma vai na raiz do problema.

A questão é complexa e antes da solução, precisamos entender de forma clara o que nos fez chegar até aqui. Primeiro precisamos definir o tipo de ensino que queremos, a educação deve ser libertadora. Acumulação de saber e ensino técnico ou apenas voltado para a formação de mão de obra não promove transformação social. O segundo ponto é a falta de cobrança da sociedade brasileira. Os pais, de forma geral, parecem satisfeitos com a educação que é oferecida pelos filhos e não existe nenhum engajamento da sociedade em relação a necessidade de mudança, mesmo com os resultados medíocres apresentados por nossos alunos. Isso vale para a classe menos favorecida e também pelos mais abonados. Sem pressão social, os governos não se mobilizam e as empresas acabam quase sempre fazendo medidas que não mudam o cerne do problema.

O terceiro e principal ponto diz respeito ao que devemos fazer, de forma prática a assertiva. É preciso um pacto pela Educação. Um projeto que seja nacional e passe pelo Estado, pelas empresas e pela sociedade organizada. Um projeto que forme docentes e gestores, que integre as políticas existentes que são exitosas e permita a criação de novas, focadas em grupos diferentes. Que se busque, quem já é conhecedor do tema e uma quem tenha recursos para se fazer um “casamento perfeito”. Não teremos resultado, só com a injeção de recursos, seja do Estado, seja de empresas. É preciso que se agregue recursos financeiros, com experiência e conhecimento prático e teórico de educação.

E é preciso também que essas mudanças virem política de Estado, não importando quem seja o presidente de ocasião. Educação não é questão de esquerda, direita ou centro. É direito de todos e deve estar acima de qualquer ideologia ou disputa política. É nesse contexto que entra o “Novo Lider”. Capaz de organizar ideias, de gerir equipes, de pensar o Brasil e unir cabeças para projetos edificantes e de longo prazo. O “Novo Lider”pode estar dentro de uma empresa, no ambiente político, nas organizações sociais, enfim, em qualquer lugar. É assim que o Brasil vai mudar, com educação para todos e o compromisso da sociedade de que só pela educação podemos virar o jogo.

*Heverton Peixoto é engenheiro e CEO da Wiz

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