O desenvolvimento que vem pelas águas

Murillo Barbosa*

17 de abril de 2019 | 05h00

Muito do que conhecemos hoje como civilização só existe pela relação entre as cidades e seus portos. O encantamento que sentimos pelo novo e a beleza das águas se encontram nos terminais portuários, que transformam realidades e criaram alguns dos mais belos e interessantes cenários do mundo, como Nova York, Hong Kong, Veneza e Santorini, na Grécia.

Já o Brasil, um país que ocupa o 16.º lugar no planeta em extensão litorânea e possui 42 mil quilômetros de rios potencialmente navegáveis, coleciona histórias que comprovam a atualidade dessa vitoriosa relação. Dentro do território nacional, diversos municípios que abraçaram as instalações portuárias obtiveram benefícios diretos e indiretos, trazendo modernidade e desenvolvimento para comunidades inteiras e influenciando diretamente os resultados econômicos de seus estados.

Antes mesmo de iniciar suas operações, ainda em fase de construção, os terminais costumam atrair a mão de obra de milhares de pessoas, entoando os primeiros acordes que darão novo ritmo a essas cidades. É inegável o poder de transformação de um complexo portuário como o Porto do Açu, localizado em São João da Barra, no norte fluminense. A sua rede de empregabilidade, que é um banco de currículos ao qual todas as empresas do Porto têm acesso, recebe em média 1.600 CVs por mês e foi responsável pela contratação de 1.400 pessoas da região em 2018.

Com cerca de 6 mil colaboradores que atuam nas 13 companhias instaladas no empreendimento, 80% da mão de obra é local, ou seja, de moradores de Campos e São João da Barra (RJ). Se considerarmos apenas o município sanjoanense, 17% da população economicamente ativa trabalha no Complexo.

Se navegarmos para o sul do país, encontramos outros exemplos recentes de portos transformadores. Um deles fica em Navegantes, Santa Catarina, o terminal privado Portonave, que começou a operar em 2007. De lá para cá, os contornos socioeconômicos da cidade mudaram radicalmente. O Fundo de Participação dos Municípios, repassado pelo governo federal de acordo com a densidade populacional, foi de R$ 4,9 milhões, em 2004, para mais de R$ 24 milhões, em 2017.

Este valor reflete o crescimento de postos de trabalho, do comércio, da indústria e da cadeia produtiva. Em dez anos, o número de empresas saltou de 1.313 para 7.230. A arrecadação também aumentou. Segundo registra o Portal da Transparência do estado, quase metade da receita da prefeitura, relativa ao Imposto Sobre Serviços (ISS), é oriunda do terminal. No ano passado, do total de R$ 27,4 milhões arrecadados, R$ 12,5 milhões foram repassados pela Portonave.

Os portos brasileiros movimentaram mais de 1,1 bilhão de toneladas em 2018, segundo dados divulgados pela Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) em fevereiro deste ano. Para que esses produtos possam chegar a seus destinos, são necessários investimentos que vão além das águas. É preciso também uma infraestrutura terrestre que pode beneficiar a todos que estão ao redor do terminal.

Esse é o caso do Porto de Itapoá, localizado no município de Itapoá, na região nordeste de Santa Catarina. O terminal investiu R$ 23 milhões para estruturação da rede de 138 KV de energia elétrica e R$ 33 milhões em acessos rodoviários pavimentados. Em impostos pagos à prefeitura foram mais de R$ 60 milhões. Vale adicionar os investimentos já realizados em projetos socioambientais de R$ 23 milhões. Desde o início de suas operações, em 2011, o porto contribuiu com mais de R$ 140 milhões para o desenvolvimento da cidade, gerando mais de 950 empregos diretos e 4.000 empregos indiretos. Números nada desprezíveis para um município de cerca de 20 mil habitantes.

No Brasil, há inúmeras histórias de prosperidade de norte a sul, que comprovam que os terminais portuários são verdadeiros vetores para o desenvolvimento. A integração entre as atividades econômicas e os projetos humanitários desenvolvidos pelas empresas, que envolvem desde a geração de emprego e renda às ações em prol do meio ambiente, restituem a esperança e transformam milhões de vidas. Muito além do superávit da balança comercial, o setor portuário privado está atento às demandas do Brasil.

*Murillo Barbosa, diretor-presidente da Associação dos Terminais Portuários Privados (ATP)

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